Distrito de LEIRIA

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

Concelhos de: Alcobaça, Alavaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha,

Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos,

Pedrógão Grande, Peniche, Pombal e Porto de Mós.

 

 


Distrito dividido entre as províncias tradicionais da Beira Litoral e da Estremadura. Limita a norte com o Distrito de Coimbra, a leste com o Distrito de Castelo Branco e com o Distrito de Santarém, a sul com o Distrito de Lisboa e a oeste com o Oceano Atlântico. Área: 3515 km². Sede de distrito:  cidade e capital Leiria.

 

Nota do ano de 1900 (Jornal do Comércio):

“Distrito de Leiria, formado por uma parte da antiga província da Estremadura, com uma superfície de 3.411,80 Km2 e, uma população de 238.755 habitantes. Compreende 13 concelhos e 115 freguesias. Povoações mais importantes: Leiria, Alcobaça, Pombal, Caldas da Rainha e Peniche. A serra mais importante do distrito é a Maior ou dos Candeeiros, com uma altitude de 485 metros. É banhado pelos rios Lis e seus afluente Lena; Alcobaça; Carnide e Arunca (afluentes do Mondego); Zêzere (afluente do Tejo); Nabão e ribeira de Alge (afluentes do Zêzere). Neste distrito encontra-se o célebre pinhal real (Pinhal do Rei), que D. Sancho l mandou semear para impedir a invasão das dunas de areia, mas só D. Dinis ampliou e tratou essa mata, que tem 18 Km de comprimento e a largura de 7 Km. Indústria de tecidos em Alcobaça; louça artística, nas Caldas da Rainha; vidros na Marinha Grande e rendas em Peniche.

 

 

 

Leiria – (Capital e Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Já há muito que Leiria ultrapassou o morro do Castelo que fica entre os rios Lis e seu afluente Lena. Leiria goza de atributos que lhe conferiram credenciais de grande centro comercial, industrial e turístico, dos mais importantes de Portugal.
Possuindo privilégios invejáveis (clima, paisagem e património monumental), Leiria adquiriu capacidade de óptimo aproveitamento dos recursos e predomínio destacado entre outras regiões, ultrapassando dependências quer a norte, quer a sul. Referimo-nos, naturalmente, aos recursos de vária ordem que beneficiam da excepcional situação geográfica no eixo rodoviário Lisboa – Porto.
O concelho de Leiria tem uma superfície de 549,24 Km2, e é envolvido a norte pelo concelho de Pombal, a sul pelos de Batalha e Porto de Mós, a oeste pelo de Marinha Grande e a este por Vila Nova de Ourém.
A actual cidade de Leiria foi fundada em fins de 1135, pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, ao pretender estabelecer uma guarda avançada para a conquista de Santarém, Lisboa e Sintra.
Leiria foi elevada a cidade em 1545, por influência de D. Frei Brás de Barros, reformador do Mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, e primeiro bispo da diocese.
Recebeu forais do seu fundador, D. Afonso Henriques em 1142 e de D. Sancho l em 1195, e, foi doada por D. Dinis, com a alcaidaria castelã, a sua mulher D. Isabel de Aragão, mais tarde Rainha Santa Isabel. Foi cenário de diversas vicissitudes da história portuguesa, preservando uma série de monumentos artísticos que atestam um passado esplendoroso. Infelizmente, as invasões napoleónicas de 1808 e 1810 prejudicaram bastante.
Na Leiria quatrocentista esteve instalada uma das primeiras oficinas tipográficas que imprimiram os mais antigos incunábulos portugueses. O conjunto citadino ergue-se emoldurado pelo sinuoso rio Lis, de um sereno bucolismo, e pelo morro altaneiro onde se recordam os perfis do velho castelo, do Paço de D. Dinis e da Igreja da Pena.
PROVÁVEL ORIGEM DO NOME:
“O nome de Leiria tem-se prestado às mais fantasiosas conjecturas. Ora, o fazem derivar de nome de mulher, ora o tiram de “leira”, ora de “lírio (na forma grega), ora dos nomes dos rios leirienses, etc. O Dr. Leite de Vasconcelos opinou que Leiria veio do nome do rio Leirena, que foi também Leirea e Leireia. Um facto importante é o de o nome do rio Leirena alterna com Lena. Ora, em Plínio (cf. Quicherat) há referência a uma cidade da Lusitânia, chamada Lena. Mesmo que seja só coincidência, é de crer que Leiria se prenda ao nome do rio que por lá passa”.
Seja como for, as origens históricas da belíssima cidade de Leiria repostam-se aos começos da Reconquista, podendo fixar-se, na época das lutas entre cristãos e mouros, pela fixação das fronteiras do Condado Portucalense. Leiria conserva a história guerreira evocando ainda hoje páginas dessa epopeia decisiva para o alicerçar, com muitos sacrifícios, a Nacionalidade. A importância da “vila” de Leiria, fundada em 1135 com origem em razões defensivas, adveio-lhe do castelo - cuja date se desconhece, servindo muitas vezes e por longos períodos de residência da corte e sede do reino. A tradição refere que em 1137 os mouros cercaram o castelo tendo sucumbido na refrega 240 cavaleiros, enquanto D. Afonso Henriques andaria em guerra pela Galiza (Espanha) com seu primo Afonso Vll. Sabendo do sucedido, veio em socorro da “vila” que tomou ao inimigo. Três anos depois, nona investida mourisca que recuperou o castelo, dizimando e aprisionando a guarnição, incluindo seu alcaide Paio Guterres. Cerca de um ano mais tarde, o primeiro rei português reconquistou novamente o castelo. Com a tomada de Santarém e de Lisboa aos mouros, o castelo de Leiria perdeu importância militar e estratégica.
Os cónegos regrantes do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, tiveram a região de Leiria sob sua jurisdição até ao século XVl. As terras mais a sul, foram entregues aos cuidados colonizadores dos monges de Cister (Alcobaça). Foi decisiva a acção quer dos primeiros, quer dos segundos na colonização e desenvolvimento agrícola do território leiriense.
Em 1254, D. Afonso lll convocou as Cortes de Leiria nelas tomando assento, pela primeira vez, os procuradores dos concelhos, legítimos representantes das classes populares. Tiveram lugar, provavelmente no castelo ou nos paços existentes no Cerca. Sabe-se um dos principais objectivos destas Cortes: deliberar quanto ao estado deplorável do Reino e sobre “assuntos a corrigir e a emenda”. Em Novembro de 1372 reuniram-se novamente reflectindo sobre o ambiente de previsão da 2ª guerra com Castela; as de 1376 (ainda no reinado de D. Fernando) terão abordado os esponsórios da infanta D. Beatriz (filha de D. Fernando) com o filho ilegítimo do rei de Castela (Henrique ll). E, finalmente, as últimas Cortes, no final do reinado de D. Duarte, em 1438, decidiram da não entrega de Ceuta (norte de África) exigida em troca do resgate do Infante D. Fernando, que morreu no seu cativeiro em Fez (norte de África).
Leiria foi palco de acontecimentos importantes da História de Portugal, como por exemplo: daqui foi enviado documento da fundação da Universidade de Coimbra, em Maio de 1290; o príncipe herdeiro, mais tarde D. Afonso lV, em 1320, em conflito com o pai (D. Dinis) pôs cerco ao castelo só o abandonando perante a proximidade do exército. O altar da capela de São Simão foi testemunha do acordo de paz devido à interferência da bondosa Rainha Santa, entre o marido e o filho.
Os esponsais da infanta menor D. Beatriz, filha de D. Fernando e de D. Leonor Teles, que na altura tinha 4 anos, com o filho de Henrique de Castela, tiveram lugar em Leiria; em 1385, o rei de Castela passou por Leiria com as suas tropas a caminho de Lisboa. O alcaide D. Garcia Rodrigues Taborda recusou-lhe entrada mas acabou por fornecer mantimentos e seguir com o exército inimigo. Fiel a D. Leonor, recusou servir o Mestre de Aviz, mais tarde D. João l, e acabou por ter fim trágico na Batalha de Aljubarrota.
D. João l passou por Leiria a caminho da Senhora da Oliveira ( Guimarães – já referido noutro trabalho), confiando a alcaidaria a Lourenço Martins; o filho bastardo de D. João l, D. Afonso, (refere a tradição) terá desposado em Leiria D. Beatriz, filha única do Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira. Com a morte de D. João l, Leiria ouviu, solenemente a proclamação de D. Duarte - rei de Portugal, da boca dos fidalgos e dos procuradores do povo.
Subordinada à presença do rio Lis e do seu afluente, o Lena, toda esta região se caracteriza não só pela fertilidade dos campos que a marginam, facilmente irrigados, como também pela aptidão para a cultura florestal, representada pelas extensas áreas ocupadas pelo pinhal (pinheiro bravo). Tudo verdeja quando esses campos estão ocupados pelas culturas que lhes são próprias, só os tons são diferentes.
A sensação que se colhe percorrendo-a é de uma amenidade pouco vulgar, traduzida por um ambiente saudável e calmante; nada é brusco, nada é agreste, nada fere, magoa ou assusta. Apenas o morro onde se ergue o Castelo de Leiria e, em frente dele, um outro dominado pela Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, que é templo mariano e mandado construir por D. João V, quebram a suavidade da paisagem, que se estende das serranias calcárias que a limitam a nascente até ao Atlântico, a poente.
Paira em tão vasta área, por um lado, a influência da assídua presença de D. Dinis, que a preferia, e , por outro, a de D. João l e do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. O primeiro deixou-a assinalada pelas obras que ali realizou, desde o castelo ao enxugo do paul do Ulmar e aos Paços reais de Monte Real ( a 25 Km de Leiria a norte) e ainda pelas lendas e toponímia ligadas aos seus desvarios sentimentais.
D. João l e o seu condestável deixaram a recordação dos actos heróicos com que os portugueses conseguiram fazer vingar a sua independência - a Batalha de Aljubarrota em 14 de Agosto de 1385 (noutro trabalho vamos falar nesta grande batalha), e que fica a 20 Km para sul de Leiria.
Alguns monumentos de Leiria:
SÉ : O início da sua construção remonta a 1559, embora só estivesse concluída na Segunda metade do século XVll.
IGREJA DE SÃOPEDRO: Este pequeno edifício românico, dos finais do século Xll, apresenta na frontaria um pórtico constituído por quatro arquivoltas, com botões nas aduelas, assentes em colunas de capitéis zoomórficos.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PENA: Situada no topo do cómodo leiriense, é enquadrada pela massa arquitectónica do castelo e do paço. O pórtico é do século XlV.
IGREJA DO ESPÍRITO SANTO: O templo, construído a partir de uma ermida trecentista, ostenta uma frontaria barroca.
IGREJA DE SANTO AGOSTINHO: A sua construção remonta aos finais do século XVl, mas as obras prolongaram-se até ao XVlll.
SANTUÁRIO DA NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO: Precede o edifício uma escadaria monumental da Segunda metade do século XVlll. O pequeno templo, dos finais do século XVl, apresenta exteriormente uma galilé de 21 arcos que percorre 3 das suas faces. O frontão do alpendre central ostenta uma escultura quinhentista figurando São Gabriel. Numa das dependências do santuário encontra-se uma colecção de ex-votos, pinturas ingénuas historiando diversos milagres atribuídos à Senhora da Encarnação.
CONVENTO DE SÃO FRANCISCO: A fachada da igreja, cingida por volumosos cunhais terminando em fogaréus, com a imagem do orago a preencher um nicho alto, entre os janelões do coro, e os três arcos da galilé abertos no piso térreo, documenta a construção setecentista, embora o convento remonte a época anterior.
PAÇO REAL E CASTELO: O edifício é cingido por duas torres quadradas e rasgado por uma “loggia”. Sobrepujantes à galeria de arcos ogivais, de oito vãos, erguem-se os grandes torreões encimados pelos típicos coruchéus piramidais. Junto ao Paço Real ergue-se a torre de menagem, vetusta construção, com a data de 1324 num escudo armoriado colocado na verga da porta. A cerca da vila, com o seu coroamento de merlões e os paramentos de alvenaria parcialmente reconstruídos, remonta ao tempo de D. Sancho l. A Porta dos Castelinhos, a norte, conserva um escudo real ladeado por dois pinheiros, que se julga constituir a primitiva heráldica de Leiria. A torre para nascente desta porta possui um esgráfito que documenta a sua construção na era de 1380, no reinado de D. Afonso lV. Nas três ordens de cintas amuralhadas que envolvem o reduto central ainda se observam alguns vestígios dos enxertos efectuados durante o século XV.
A cidade de Leiria fica a 13 Km da cidade da Marinha Grande, a 35 Km da praia da Nazaré, a 10 Km da Batalha e a 26 Km de Pombal.
DOAÇÃO DE LEIRIA À RAINHA SANTA ISABEL, MULHER DE D. DINIS:
 

“Em nome de Deus Amen. Conhoscam esta carta virem e lerem que eu D. Diniz pela graça de Deus Rei de Portugal, e do Algarve, de meu prazer e de minha livre vontade dou, e outorgo a vós Rainha D. Izabel minha mulher enzembra com o infante D. Affonso meu filho primo herdeiro em todolos dias de vossas vidas a minha villa de Leyria com todos os termos, como todas suas rendas, e suas pertenças e com todos seus direitos, que eu ey, e de direito devo aver. E outro sim vos dou em todolos os dias de vossa vida a Alcaidaria dessa villa, em tal guisa, que vos metades hy alcaide, e tolhades quanto vos prouguer, que seja homem filho dalgo, e meu natural, e que faça ante a my menagem por esse castello, que hirado, e pagado mo de quanto lho pedir, e que faça guardar onde a my, e a meus successores o meu senhorio. E vos devedes a elles adar das rendas d’essa villa a teença desse Castello. E essa doaçam vos faço, e outorgo por ende toda vossa vida, que a ajades, e possuyades todalas rendas e direitos da dita villa, e de seus termos com todas suas pertenças, e Alcaidaria, e com todolos seus direitos, e melhoramentos que hy fizerdes, devem ficar a my, e a meus successores, que depois reynarem em Portugal e livremente, e sem embargo nenhum.
E eu sobredicto Rey D. Dinis outorgo, e prometto aboa fee a teer, e guardar a voz D. Izabel esta doacam, assim como sobredicto hé, e nem vir em contrario, e sê alguns de meus successores, ou alguns outros, o que lhes Deus nom leixe fezer, a vos em vossa vida esta doaçam quizer embargar, aja a hira, a maldiçom de Deus e da sá Madre, e de toda a corte celestial, e a minha maldiçam para todo o sempre. E os que esta doaçam a vos teverem, e aguardem em vossa vida, assim como é sobredicto, sempre sejão compridos de toda beençom. E que esta doaçam seja mais firme, e mais estavel em toda vossa vida, e nam possa vir em duvida, dou onde a vos Rainha Dona Izabel, esta inha carta seellada do meu sello de chumbo. A qual carta a vos com minhas mãos proprias rivogo, e confirmo.
Feita a Carta em Lisboa quatro dias de Julho. El-Rey o mandou. Francisco Annes a fez. Era de M.CCC.XXXVlll annos.”
Nota: Uma preciosidade da era medieval.
LEIRIA
E AS
INVASÕES NAPOLEÓNICAS
A cidade foi a que mais sofreu com as devastações das tropas francesas durante a Guerra Peninsular. Junot tomou-a em 1807, e , o valoroso batalhão académico de Coimbra libertou-a em Junho do ano seguinte, com a colaboração heróica da população. Em represália as tropas de Napoleão entraram de novo na cidade, no dia 05 de Julho, mas o povo leiriense enfrentou-as corajosamente, resistindo-lhes no Alto da Portela, onde está uma lápida comemorativa.
Em 1810, depois da Batalha do Buçaco (perto de Coimbra), Leiria voltou a cair nas mãos do invasor que deixou rasto de destruição por toda a cidade. Os franceses pilharam e incendiaram o convento das Dominicanas de Santana, o paço episcopal e o recolhimento de Santo Estêvão; saquearam o seminário e os hospital, abandonando a cidade em Março de 1811. Dos cerca de 3 mil habitantes, teriam ficado à volta de 150, pois muitos morreram e outros fugiram. A situação agrícola ficou de tal ordem que exigiu a intervenção do governo central, deslocando outras pessoas de outras partes de Portugal.

 

Leiria
http://www.visitportugal.com/NR/exeres

Vindo da cidade, o turista entra no Castelo de Leiria pela Porta da Albacara. No interior do recinto defensivo, muito bem conservado, iremos encontrar vários motivos de interesse: a Igreja de Nossa Senhora da Pena, os antigos Paços Reais, a Torre de Menagem e sobretudo a bela vista sobre a paisagem envolvente.
Este conjunto arquitectónico relembra a origem medieval da cidade, quando em 1135 foi conquistada por D. Afonso Henriques.
Na altura, o primeiro rei de Portugal mandou construir uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Penha e entregou este reduto militar a D. Paio Guterres, o primeiro Alcaide de Leiria.
As muralhas seriam reforçadas apenas no final do século, pelo rei D. Sancho I, depois da conquista definitiva pelos cristãos.
A característica Torre de Menagem deve-se à iniciativa de D. Dinis, em 1324, segundo uma inscrição aí existente, assim como os Paços Reais e a reconstrução da Igreja.
No entanto, há quem atribua a autoria destas obras ao rei D. João I no final do séc. XIV. Certo é que durante o séc. XVI novas obras são levadas a cabo, por ordem de D. Manuel, nomeadamente a construção de uma sacristia na Igreja.
Longe da sua função inicial, o Castelo voltou a ter importância na história da cidade no início do séc. XX, quando foi alvo de um inovador restauro por Ernesto Korrodi e pela Liga dos Amigos do Castelo, cujas iniciativas marcaram a paisagem urbana de Leiria. Seguidor tardio do espírito romântico e esforçado em recuperar o imaginário medieval, Korrodi defendeu a devolução da imponência histórica ao monumento, que tinha antes do abandono a que foi votado ao longo dos séculos.
Actualmente, o recinto amuralhado é um agradável espaço de passeio que se transformou o ex-libris de Leiria, "observando" do alto do morro a evolução da cidade.Vindo da cidade, o turista entra no Castelo de Leiria pela Porta da Albacara. No interior do recinto defensivo, muito bem conservado, iremos encontrar vários motivos de interesse: a Igreja de Nossa Senhora da Pena, os antigos Paços Reais, a Torre de Menagem e sobretudo a bela vista sobre a paisagem envolvente.
Este conjunto arquitectónico relembra a origem medieval da cidade, quando em 1135 foi conquistada por D. Afonso Henriques.
Na altura, o primeiro rei de Portugal mandou construir uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora da Penha e entregou este reduto militar a D. Paio Guterres, o primeiro Alcaide de Leiria.
As muralhas seriam reforçadas apenas no final do século, pelo rei D. Sancho I, depois da conquista definitiva pelos cristãos.
A característica Torre de Menagem deve-se à iniciativa de D. Dinis, em 1324, segundo uma inscrição aí existente, assim como os Paços Reais e a reconstrução da Igreja.
No entanto, há quem atribua a autoria destas obras ao rei D. João I no final do séc. XIV. Certo é que durante o séc. XVI novas obras são levadas a cabo, por ordem de D. Manuel, nomeadamente a construção de uma sacristia na Igreja.
Longe da sua função inicial, o Castelo voltou a ter importância na história da cidade no início do séc. XX, quando foi alvo de um inovador restauro por Ernesto Korrodi e pela Liga dos Amigos do Castelo, cujas iniciativas marcaram a paisagem urbana de Leiria. Seguidor tardio do espírito romântico e esforçado em recuperar o imaginário medieval, Korrodi defendeu a devolução da imponência histórica ao monumento, que tinha antes do abandono a que foi votado ao longo dos séculos.
Actualmente, o recinto amuralhado é um agradável espaço de passeio que se transformou o ex-libris de Leiria, "observando" do alto do morro a evolução da cidade.

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Alcobaça – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Alcobaça fica situada na Alta Estremadura, entre o antemural da Serra dos Candeeiros e a costa atlântica, está historicamente ligada à abadia cisterciense que influenciou de modo decisivo o povoamento, sendo o seu mosteiro a origem incontestada da sua génese.
Começando por um castelo árabe, a que se juntou, e por um mosteiro cristão, Alcobaça cresceu no vale dos rios Alcoa e do Baça, provavelmente sobre uma sobreposição de culturas que passaram além da permanência romana e visigótica para se perder na cultura megalítica.
Alcobaça fica situada e rodeada de montes verdejantes ainda pouco delapidados pelo crescimento urbano.
O Castelo arruinou-se e o mosteiro domina-a. Enorme mole de pedra, a sua construção começou a 10 de Maio de 1178, nunca mais tendo parado de sofrer ampliações e modificações, pelo menos até ao início do século XlX.
Agregado ao mosteiro encontra-se um edifício do século Xll, onde os primeiros cistercienses (monges de Cister), instalaram provisoriamente a “abadia velha”, que existiu pelo menos até à consagração da igreja do novo mosteiro, em 1252.
O estudo da origem etimológica da palavra Alcobaça tem-se baseado na actividade humana de épocas passadas, com especial incidência nos períodos de permanência romana e árabe. A designação provável parece ser Helcobatic, nome de uma povoação romana situada próximo da actual localidade, embora se considere também a permanência árabe e os vestígios de topónimos no local.
Nesta região têm sido encontrados diversos objectos do período neolítico, principalmente fragmentos de cerâmica. Existem também muitos vestígios da romanização, tais como moedas, inscrições e sarcófagos.
Embora a actividade humana se tenha manifestado desde remotas eras, o núcleo urbano começou a definir-se à volta do castelo, e o mosteiro acabaria por coordenar as actividades locais, provocando a condensação de um primeiro núcleo em seu redor.
 

O mosteiro foi mandado construir pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, e nele, entre outros, encontram-se os túmulos dos grandes amorosos, D. Pedro l e de D. Inês de Castro, virados um para o outro. Também, digno de visita é o claustro de D. Dinis, a biblioteca, a monumental cozinha e a porta da sacristia, e outros neta monumental construção.

 

Alcobaça
http://www.oesteonline.pt/regiao/alcobaca.asp

Município da Estremadura, pertencente ao Distrito de Leiria e à Associação de Municípios do Oeste. A cidade de Alcobaça, sede do Concelho, situa-se entre o antemural da Serra dos Candeeiros e a costa atlântica, a 42 metros de altitude e rodeada pelos rios de Alcoa e Baça.
Alcobaça nasceu de um castelo árabe a que se juntou, pouco tempo depois, o mosteiro cristão. Cresceu pelos vales do Rio Alcoa e Baça – sossegadas testemunhas da presença romana e visigótica. Hoje, reúne, entre o morro do Castelo e o Mosteiro, curioso núcleo de ruas e travessas de sabor medieval bem ornamentadas pelas Igrejas da Misericórdia e de Nossa Senhora da Conceição.
O Mosteiro ou Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, fundado em 1178 pela Ordem de Cister, em cumprimento do voto de doação feito por D. Afonso Henriques quando da conquista de Santarém aos mouros, é a mais pura e majestosa Abadia que os monges de Cister ergueram em toda a Europa. Eleito pela UNESCO como monumento "Património Mundial", o Mosteiro de Alcobaça bem pode ser uma bela viagem pela História da Arte Europeia, do séc. XIII ao século XVIII.
Gastronomia: Frango na Púcara, Cherne à Frei João, Delícias de Frei João, Pudim de Ovos dos Frades, Biscoitos, Broínhas de Alcobaça, Tachinhos à Dom Abade, Frutas de Alcobaça (Pêssegos, maçãs, pêros, alperces, morangos e laranjas) e Ginja de Alcobaça. Na Vila de Alfeizerão, o famoso Pão-de-Ló de Alfeizerão. Em Aljubarrota os Pastéis da Padeira e Tortas de Aljubarrota. Em Bárrio as Queijadas do Bárrio.
Artesanato: Olaria e cerâmica típica de Alcobaça – a que tem fundo branco e decoração azul e que reproduz antigas faianças portuguesas do séc. XVII. Os cristais de Alcobaça, os lenços de chita para a cabeça ou para os ombros, estes conhecidos por "alcobaças" e os panos de chita de Alcobaça, para decorações e estofos de requinte, assim como as tapeçarias , as toalhas bordadas, as mantas de farrapos, as cestas de verga e as esteiras de Junco de Cós, muito procuradas por serem coloridas.
A visitar: Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça; as ruínas do Castelo de Alcobaça fundado pelos Árabes; Arcos de Cister que são dois arcos setecentistas que ligam o antigo celeiro a outras dependências do Mosteiro; e a Igreja da Misericórdia edificada no séc. XVI e restaurada no séc. XIX. O Museu Nacional do Vinho, o Museu de Alcobaça instalado no Mosteiro e a Casa Museu Vieira Natividade onde se expõe o espólio das explorações arqueológicas nas grutas pré-históricas do concelho.
Nos arredores: Em Alfeizerão as ruínas do Castelo de fundação árabe no séc. XI e o pelourinho do séc. XVI; em Aljubarrota a Rua Direita, Pelourinho e Casa da Câmara, a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (séc. XIII) e as grutas pré-históricas do Carvalhal de Aljubarrota. Em Alpedriz o Pelourinho e Igreja Matriz; Em Cela Nova o Pelourinho (séc. XVI) e Igreja de St.º André (1909); Em Cela Velha o monumento ao General Humberto Delgado; Em Cós o Convento de Santa Maria fundado em 1279 e reconstruído no séc. XVIII e a ermida de Santa Rita; Em Évora de Alcobaça a Capela do Senhor dos Passos (séc. XVI) e a Igreja de S. Tiago de fundação medieval; Em Maiorga a Igreja de S. Lourenço fundada em 1543 e o conjunto do séc. XVI composto pelo Pelourinho e portal da antiga Capela do Espírito Santo; Em Turquel o Pelourinho e Igreja de Nossa Sr.ª da Conceição (séc. XVI); Em Vestiaria a Igreja Matriz (séc. XVI).

 

Mosteiro de Alcobaça

http://www.visitportugal.com/NR/exeres
 É uma das obras-primas do génio criativo da Humanidade, que a UNESCO incluiu na lista do Património Mundial.
Logo que entrar na imensa nave da igreja, a maior construída na Idade Média em Portugal, vai sentir-se envolvido pela sensação de espiritualidade que ressalta da nudez da pedra, própria do gótico primitivo.
Frente a frente no transepto, estão os mais belos túmulos medievais feitos em Portugal. Do lado direito, o de Inês de Castro, do lado esquerdo, o de D. Pedro I. Foi o rei que os mandou colocar assim para que quando chegasse o dia da Ressurreição dos Corpos se encontrasse de frente com a mulher que tanto amou e tão cruelmente foi assassinada. Tente ler nas delicadas esculturas que decoram o túmulo de Pedro, cenas da vida desta trágica paixão.
A organização do espaço do Mosteiro segue as normas impostas pela Ordem de Cister, nascida em França. Passeie pelas austeras dependências onde os monges viveram perto de 800 anos: o Refeitório, o Dormitório, a Sala do Capítulo, os Claustros e maravilhe-se com a monumental cozinha onde apanhavam o peixe do rio. Nos azulejos que forram as paredes da Sala dos Reis "leia" a história da fundação do Mosteiro, em 1153. Ficará a saber que o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques. prometeu dar a S. Bernardo as terras de Alcobaça se conquistasse Santarém aos Mouros. E os monges de hábito branco lá ficaram, criando nos coutos férteis uma escola de agricultura que ainda hoje se revê nos saborosos frutos da terra.

 

 

 


 

 

Alvaiázere – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

Povoação muito antiga, é provável que já fosse habitada pelos primitivos povos da Península Ibérica. Os árabes, ao fixarem-se na região, deram-lhe o nome de Al-bai.zir, donde possivelmente proveio Alvaiázere. D. Sancho l outorgou-lhe foral em 1200. Foi elevada à categoria de vila no reinado de D. José l que lhe renovou o foral em 1358; e doada por D. Duarte a sua mulher, a rainha D. Leonor, em 1435, pelo que ficou a pertencer à Casa de Bragança. Em 1514, D. Manuel l confirmou o foral.

Origem do nome:

«Rocha Martins do “Arquivo Nacional – 1936»: “Tirando o seu nome do lugar onde assenta, uma várzea fertilíssima, Alvaiázere, chamou-se primitivamente, Alva-varzea, nome este que, corrompendo-se, se transformou no actual”.

«Da, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira»: “A origem da terra perde-se na noite dos tempos, parecendo, contudo, averiguado, que nela já habitaram os primitivos povos da Península para aí fazerem as suas fortificações. Aí construíram, também os romanos uma cidade cujos vestígios já desapareceram por completo, sabendo-se apenas da sua existência pelo aparecimento de numerosas moedas e utensílios de uso. Os árabes, ao conquistarem a Península, fixaram-se também na região a que chamaram Al-bai-Zir (o campo aromático), daqui provindo, segundo parece, o nome de Alvaiázere”.

 

Alvaiázere
http://almoster.planetaclix.pt/regiao71.html
Um concelho com história e tradições 
Para quem não conhece de Alvaiázere, o concelho situa-se no Nordeste do distrito de Leiria e tem como concelhos vizinhos: Figueiró dos Vinhos, Ansião, Ourém, Ferreira do Zêzere e Pombal. É limitado a poente pelo Vale do Nabão e a nascente pela depressão de S. Pedro do Rêgo da Murta a Cabaços, e Vale de Cabaços à depressão do Pontão e Chão de Couce.
Para além da sede, compreende seis Freguesias, sendo elas: Almoster, Maçãs de Caminho, Maçãs de Dona Maria, Pelmá, Pussos e S. Pedro do Rego da Murta, ocupando uma área de 161 quilómetros quadrados.
No que diz respeito ao Património Natural, o concelho de Alvaiázere é constituído por uma diversidade de formações geológicas, com predomínio do Mesozóico, registando-se algumas do Precâmbrico, Pelaozoíco e Cenozóico – Miocénico e Pliocénico e por um número significativo de tipos de solos.
A litologia, a topografia, o clima, a vegetação e a acidez das águas contribuem para a existência de um grande número de grutas e algares. Algumas das formações cársicas que poderemos encontrar por estas terras são: Gruta do Algar da Água, Buracas da Serra, Buraca Grande da Porta, Gruta da Mata de Cima, Algar do Vale da Couda, Surgência do Olho do Tordo, entre outras.
A presença de abundantes coberturas gresosas na área determina a existência de uma cobertura vegetal diversificada, salientando-se a azinheira, o carrasco, o carvalho-cerquinho, o castanheiro, o eucalipto, a nogueira, a oliveira, o pinheiro, o sobreiro e a zambujeira. Estando ainda presentes outras espécies características das florestas mediterrânicas, de que se salienta a alfazema, o alecrim, a carqueja, a erva de Santa-Maria e a salva.
Da vasta e diversificada fauna existente, realçamos a geneta, o javali, a lebre, a perdiz, a raposa, algumas colónias de morcegos, a lontra, entre outras.
Num concelho rural onde, outrora, a agricultura representava o principal meio de subsistência, encontramos de mãos dadas com uma arquitectura moderna, construções rurais, que apesar de não apresentarem um valor histórico particular, salvo raras excepções, têm interesse não só em termos estéticos, mas também em termos comunitários, por fazerem parte da história individual e colectiva de uma comunidade, traduzindo quer a sua sabedoria, quer a sua memória colectiva.
Dispersas pelo concelho, há também várias casas de uma "nobreza" rural, construídas por volta do século XVIII, algumas das quais já em ruínas e outras ainda bem conservadas. São casas construídas junto às estradas e cópias umas das outras.
Localizado na zona centro do País, entre montes e vales, Alvaiázere é um concelho que desde sempre convidou o homem a fixar-se nas suas terras. As vantagens geográfico-naturais, a fertilidade dos terrenos, os ribeiros, a abundância da pesca e da caça e o carácter defensivo dos cabeços, levou a que imprimisse por toda a região um forte cunho da sua presença.
São inúmeros os artefactos pré-históricos e Sítios arqueológicos dispersos um pouco por todo o Concelho. De todos eles, salientamos os mais representativos do ponto de vista arquitectónico, nomeadamente as Antas do Ramalhal, a Rominha e o povoado da Serra de Alvaiázere.
As Antas do Ramalhal ficam situadas a cerca de 500 metros da aldeia do Ramalhal – S. Pedro do Rego da Murta, numa planície povoada por eucaliptos na margem direita da Ribeira do Rego da Murta.
A Rominha está localizada numa planície de grande fertilidade e clima agradável, esta zona, conjuntamente com a Vila Nova, Casal Novo e Farroeira escondem no seu subsolo histórias de um passado que o tempo procurou esquecer.
Outrora, em cada um dos referidos lugares, foram encontrados pedras aparelhadas, tijolos, fragmentos de diferentes dimensões de tegulae e imbrices, fundos de ânforas, bordos, bojos, asas, entre outros achados do período romano.
Em Julho de 1999, ao abrirem-se alicerces para a construção de uma casa, foram encontrados no Cerejeiral – Rominha - diversas estruturas (alicerces, paredes e muros executados com pedra calcária da região), fragmentos de cerâmica, tegulae e imbrices romanas e uma moeda de bronze de difícil datação, dado o seu elevado nível de corrosão.
O Povoado da Serra de Alvaiázere fica localizado na freguesia e Concelho de Alvaiázere, a 600 metros de altitude. Este Sítio arqueológico é caracterizado por um povoado fortificado de grandes dimensões com duas cinturas de muralhas parcialmente derrubadas: uma exterior e outra interior, aparentemente circular, com cerca de 100 metros de diâmetro, ambas visíveis por fotografia área.
Cronologicamente, a sua localização geográfica e a sua posição estratégica, as cinturas de muralhas e os artefactos encontrados inserem-no no tipo de povoados da Idade do Bronze.
Ao falarmos ainda do concelho de Alvaiázere, falamos de um meio rural onde encontramos, a cada passo, o presente interligado ao passado. São exemplo disso as diversas manifestações tradicionais existentes, nomeadamente: o Dia de Todos os Santos, com o culto dos mortos e a realização de magustos, ao mesmo tempo que as crianças percorrem as casas dos vizinhos para pedir os "bolinhos"; o Natal, com a realização de um Concurso de Presépios promovido pela Autarquia; o dia de Reis, dinamizado pela Câmara Municipal de Alvaiázere; o Carnaval, com um desfile de crianças mascaradas, provenientes das escolas do concelho, pelas ruas da Vila de Alvaiázere; o cantar às almas na Quaresma; o dia da Espiga, recuperado pela Autarquia; a descamisada; as vindimas que decorrem nos finais do mês de Setembro; a apanha da azeitona; a pastorícia; os ofícios tradicionais em vias de extinção, como são os casos do latoeiro, albardeiro, cesteiro, sapateiro, moleiro, ferreiro e tanoeiro; as feiras e romarias tradicionais; a FAFIPA, Feira agrícola, Florestal, Industrial, Pecuária e Artesanato, que se realiza anualmente no mês de Junho; o festival gastronómico do Chícharo, entre outras…

 

Alvaiázere
http://www.cm-alvaiazere.pt
Localização
Implantada no sopé da uma planície, ladeada por um relevo cársico. Alvaiázere é vila, sede do concelho de 3ª ordem e fiscal de 3ª classe e julgado municipal, pertencendo à comarca de Alvaiázere e diocese de Coimbra.
Caracterização
A história do povoamento do território da freguesia de Alvaiázere está estritamente relacionada com a do concelho homónimo. Situada em solo serrano, a povoação de Alvaiázere é de origem bastante remota, foi primordialmente habitada pelos primitivos povos da Península Ibérica, que no território fizeram as suas fortificações, posteriormente aí construíram também os romanos, uma cidade cujo o vestígios já desapareceram por completo, sabendo-se apenas da sua existência, pelo aparecimento de algumas moedas e utensílios.
Depois de uma fase de declínio, marcada pela ocupação árabe, a povoação foi reedificada nos inícios de séc. XIII, por D. Sancho I, que lhe deu foral no ano de 1220, a partir daí, Alvaiázere viu-se detentora de um certo poder administrativo. Por doação de D. Duarte à sua esposa, D. Leonor, Alvaiázere passou à coroa em 1435. Alvaiázere pertenceu ainda à Casa dos Duques de Cadaval.   
Em Alvaiázere existe uma casa antiquíssima onde se refugiou Duarte Pacheco, o assassino de Dona Inês de Castro, antes de fugir para Espanha. Este solar era da família do valoroso da Índia, Duarte Pacheco Pereira e ainda hoje se conserva sobre a porta principal do edifício – o Brasão das armas dos Pachecos.
 

É na serra de Alvaiázere que se situa a interessante gruta denominada “Algor” que forma um salão abobado com sete a oito metros de altura, recebendo luz por uma espécie de clarabóia de pequeno diâmetro ao entro do salão continuando por uma espécie de fosso com estalactites e estalagmites, cuja entrada para a gruta se faz por uma abertura num rochedo.  
Lugares da freguesia
Almeida, Alvaiázere, Barqueiro, Boca da mata, Campo, Carrasqueiras, Casais Furtados, Couto, Covões, Gamanhos, Igreja Velha, Laranjeiras, Marzugueira, Mata de Baixo, Mata de Cima, Mortolgos, Pé da Serra, Pomares, Pombaria, Porta, Regueira, Rominha, Seiceira, Seixal, Serrada, Sobralchão, Tornado, Trás do Monte, Vela, Vendas, Zambujal.

 

 

 



 

Ansião – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

Foi-lhe concedido o título de mordomado pelo foral de Coimbra de 1465. Recebeu foral de D. Manuel l, em 1514. D. Afonso Vl elevou-a à categoria de vila, em 1663, e D. Pedro ll (de Portugal) doou-a a D. Luís de Meneses, conde da Ericeira. Vários povos habitaram esta região como os Iberos, Celtiberos e Lusitanos; dos Romanos ficaram moedas, mosaicos, pesos de tear, colunas, mós, etc. Dominada pelos árabes, cujo legado é rico em vocábulos e lendas, a região foi palco de violentas lutas aquando da Reconquista cristã.

Tem pelourinho com uma base suportada por várias bolas de pedra, de arranjo recente, mas cuja origem remonta ao foral concedido Por D. Manuel l. Um pouco abaixo do pelourinho, na ponte à entrada da povoação, uma lápide em latim recorda o senhorio dos condes da Ericeira sobre a vila e assinala a vitória, em 1689, na Batalha do Ameixial.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Conta uma lenda que no reinado de D. Dinis, este e a Rainha Santa Isabel muitas vezes passaram no local, nas suas repetidas idas e vindas entre Coimbra e Lisboa, encontrando sempre lá um pobre e solitário cabouqueiro, que vivia numa cabana já muito alquebrado pela idade. A esposa de D. Dinis, afeiçoada ao velho, nunca passava sem lhe deixar o socorro da sua esmola e da sua consolação, donde resultou que as pessoas da sua comitiva começaram a chamar ao local “a terra do ancião”. Porque isto começasse a constar, e porque o local fosse fértil atraindo habitantes, outras choupanas se vieram juntar à do Cabouqueiro e assim teve origem a povoação, que depois passou a chamar-se simplesmente Ancião (Ansião).

 

Ansião
http://enciclopedia.tiosam.com/enciclopedia
Ansião / por Manuel Augusto Dias
Ansião é sede de Concelho, de Arciprestado e de Comarca, pertence ao Distrito de Leiria e à Diocese de Coimbra, e possui uma localização intermédia entre o Litoral e o Interior, enquadrando-se, geograficamente, na zona do Pinhal Interior Norte.
Em termos de acessibilidades, Ansião é servido pelos Itinerários Complementares IC8 e IC3 que ligam, respectivamente, Figueira da Foz a Madrid e Condeixa-a-Nova a Setúbal, tendo nas suas proximidades os Itinerários Complementares IC1 e IC2.
Beneficia, igualmente, do nó de acesso à auto-estrada em Pombal (20 km a Oeste), bem como da principal via ferroviária (linha do Norte) situada nessa cidade (16 km a Oeste).
Ansião situa-se ainda no centro de um conjunto de pontos de muito interesse turístico, distando poucos quilómetros de locais tão interessantes como Fátima, o "Altar do Mundo", Coimbra, uma cidade monumental, Figueira da Foz, uma cidade à beira mar com praias encantadoras e Lisboa, capital do país e uma das mais belas do mundo.
Com uma área de 180 km² e uma população de cerca de 15.000 habitantes, com uma densidade populacional média de 86,11 hab/km². O Povoamento do concelho é fortemente disperso. Com base nos dados do último censo, 46,0 % da população vivia em lugares com menos de 100 habitantes e 76,1 % dos lugares tinham menos de 100 habitantes. Verifica-se uma tendência fixadora de população nas freguesias de Ansião, Avelar e Santiago da Guarda. A Estrutura Etária da população do concelho tem, nas últimas décadas, evoluído no sentido de um acentuado aumento do contingente do grupo etário de 65 e mais anos, de um decréscimo da população jovem e de um ligeiro aumento da população em idade activa. Em 1997 a Taxa de Natalidade do concelho, foi de 8,1%o. A Taxa de Mortalidade situou-se nos 7,9%o. As principais causas de morte no concelho são: acidentes vasculares cerebrais, doenças do coração e tumores malignos.
O Município de Ansião pertence à Associação de Municípios da Alta Estremadura.
O Concelho de Ansião é constituído por 8 freguesias: Ansião, Alvorge, Avelar, Chão de Couce, Lagarteira, Pousaflores, Santiago da Guarda e Torre de Vale de Todos, distando estas entre 8 a 3 km da sede do concelho.
Actualmente existe um movimento associativo bastante dinâmico, com cerca de trinta associações culturais, desportivas e recreativas.
Dados históricos
Ansião é um concelho rural de tradição histórica, sendo as mais remotas notícias relacionadas com esta região respeitantes aos tempos geológicos, e dizem-nos que há 190 milhões de anos todas estas terras estavam submersas.
Veio a pré-história e, quer a presença do Homem primitivo, quer a sua vivência neste concelho são atestados por alguns exemplares de machados de pedra polida, encontrados por estas paragens.
Desenrolou-se a conquista romana nesta região que também participou na Romanização, sendo bastante elucidativos os diferentes achados arqueológicos que nos certificam esta realidade: moedas, mosaicos, telhas, pesos de tear, colunas, mós e provavelmente a via romana, calçadas, etc.
Seguiu-se a dominação árabe que contribuiu para o engrandecimento da nossa cultura. O uso da balança, da nora, o cultivo de algumas plantas e a utilização de palavras iniciadas por al – Albarrol, Alqueidão, Alvorge, etc. – fazem parte da herança recebida. É durante o reinado de D. Afonso Henriques que pela primeira vez aparece escrito o vocábulo Ansião, que registado sob a forma Ansiom, consta no documento datado de 1175, referente à primeira parte da compra da herdade que o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra levou a efeito no ano acima mencionado.
Querendo estimular o povoamento destas terras, D. Afonso Henriques criou o concelho de Germanelo e deu-lhe foral em 1142, no qual determinava que, além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos quantos tivessem cometido crimes de homicídio, de furto, ou de qualquer outro tipo de perturbação pública, sob a condição de se de se refugiarem nas terras do Germanelo, de as cultivarem e de as defenderem dos ataques dos inimigos.
Em 1514, D. Manuel I concedeu foral novo aos concelhos de Ansião, de Avelar, de Chão de Couce e de Pousaflores, conservando ainda hoje, estas três últimas terras os seus primitivos pelourinhos, símbolos do poder jurisdicional de cada concelho.
D. Afonso VI elevou Ansião à categoria de vila, por Alvará datado de 20 de Junho de 1678, doou-a a D. Luís Meneses, 3.º Conde de Ericeira e o acontecimento foi perpetuado por um foral novíssimo que lhe concedeu D. Pedro II, e o senado do município mandou erigir um Padrão e o esbelto Pelourinho para assinalar o facto.
Com a reforma dos municípios, levada a efeito por D. Maria II, os concelhos de Avelar, Chão de Couce e de Pousaflores foram dissolvidos e, passando à simples categoria de freguesias, foram anexadas por D. Carlos I ao de Ansião que, devido a este aumento territorial, tomou as proporções que ainda hoje conserva.
Dados geo-económicos
O Concelho de Ansião é caracterizado por fracos relevos e solos pobres, e natureza predominantemente calcárea, grandemente defícitária em água. Possui um clima temperado marítimo de transição, com grande incidência de geadas nos meses de Inverno.
A Agricultura e as Indústrias transformadoras são as actividades que ocupam a maioria da população activa (35,5 % e 20,9 % , respectivamente). A Actividade Pecuária, como complemento da agrícola, tem vindo a aumentar nos últimos anos. As Indústrias, beneficiando fundamentalmente da implantação do I C 8 e I C 3, distribuem-se por três Zonas, localizadas nas Freguesias de Ansião (ZI Cooperativa), Chão de Couce (ZI Camporês) e Avelar (ZI Silveirinha), sendo um Concelho em franco progresso, onde o sector secundário assume bastante importância.

 

 

 

Batalha – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Batalha tem grandes tradições históricas, fica situada na margem esquerda do rio Lena, deve a origem do seu nome à construção do mosteiro de Santa Maria da Vitória, também conhecido pelo Mosteiro da Batalha, mandado erigir por D. João l para comemorar a vitória da Batalha de Aljubarrota.
Situada num vale rodeado por colinas de oliveiras e pinheiros, a Batalha é um pólo de atracção devido, essencialmente, ao seu Mosteiro justamente considerado um dos mais notáveis monumentos da Europa.
Imponente, mistura do estilo gótico e manuelino, é motivo de especial realce o pórtico dos Doze Apóstolos, situado na fachada exterior.
Mas o concelho da Batalha não é só o Mosteiro. Toda a região constitui uma zona aprazível desde a Reboleira, São Mamede, passando por Reguengo de Fétal, até aos cumes da Serra de Aire. As grutas da Moeda, em São Mamede e a Igreja Matriz de Reguengo, com os seus belos altares manuelinos, constituem também ponto de referência obrigatório, sem esquecer a Capela de Nossa Senhora, em Fétal, datada de 1585.
Devido à abundância de pinhais e olivais, é de sublinhar a produção de azeite e as numerosas serrações de madeira existentes, merecendo igualmente referência as fábricas de curtumes e cal.
Do ponto de vista turístico, o concelho da Batalha confunde o visitante, tantos são os motivos de interesse: monumentos, praias, paisagens, povoações graciosas, ermidas perdidas nos montes.
Pequenas distâncias separam a capital do concelho do litoral e, naturalmente, das praias de renome que atraiem multidões de turistas estrangeiros e de veraneantes: a 29 Km fica a praia de São Pedro de Moel; a 53 Km Foz do Arelho; as praias de Paredes da Vitória e da Nazaré a 24 Km; São Martinho do Porto (a mais bela concha da Península Ibérica) a 39Km. Com uma razoável rede viária, contribui ainda mais para a posição proeminente da Batalha, centro ideal do eixo turístico do distrito de Leiria, da qual dista apenas 10 Km.
Mas não são apenas as praias: impõe-se visitas às Serras de São Mamede (Andorinha e Barrosinha), em cujas entranhas se desvendam as grutas deslumbrantes da Moeda (tem um bar subterrâneo que é um sonho). Da serra pode o visitante espraiar os olhos pelas terras verdejantes do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
Na Batalha entronca a via para o Santuário de Fátima, que fica somente a 17 Km. O fenómeno de Fátima constituindo factor de desenvolvimento turístico regional, deu ao concelho dinâmica nova na já importante actividade turística, alargando a época de procura ao longo de todo o ano.
O concelho da Batalha tem uma área de 113,68 Km2 , e é limitado a norte pelo concelho de Leiria; a sul pelo de Porto de Mós e de Alcanena; a oeste pelo de Porto de Mós; a este pelo de Vila Nova de Ourém.
A quem vem de Leiria, o Mosteiro da Batalha surge de súbito, após uma curva, como que afrontosamente afundado do lado esquerdo da estrada.
A sua elevação à categoria de vila só se verificou em 1498, depois de o povoado, constituído pelos primeiros obreiros aqui reunidos, ter atingido uma importância que o justificou.
Parece não terem passado sequer três anos sobre a derrota dos castelhanos (mais tarde espanhóis), na célebre Batalha de Aljubarrota, quando o Mosteiro começou a nascer, tendo o rei chegado ainda a ver pelo menos a cabeceira da igreja, a sua capela e talvez parte das dependências do claustro.
O Panteão Real (também conhecido por Panteão da Ínclita Geração), onde repousam os restos mortais do iniciadores da dinastia de Avis, já é obra de D. Duarte. Construção que se prolongou até ao reinado de D. João lll, está à vista de todos o que vem do tempo de D. Manuel l e o que lhe é posterior, o que reflecte o Renascimento Português e o que traduz a epopeia dos Descobrimentos.
Deixaram a sua marca neste grandioso Mosteiro, os Mestres, Afonso Domingues, Huguet, Martim Vasques, Boitaca, Mateus Fernandes e tantos outros, que contribuíram com o seu talento para a feitura de tão bela obra.
Vale a pena parar diante do portal principal para apreciar o trabalho de Huguet, e, no interior, convém recordar que se está sob uma cobertura gótica que se deve alguma da sua técnica à da igreja do Mosteiro de Alcobaça, que fica a 18 Km.
Depois da 1ª Guerra Mundial, a Grande Guerra, que abalou a Europa entre 1914 e 1918, e na qual Portugal tomou parte activa, passaram a repousar na sala do capítulo, os restos mortais de um Soldado Desconhecido.
Em torno do Mosteiro, e apesar das remodelações contestáveis, feitas para criar espaço de implantação de uma unidade hoteleira e de uma estátua de localização discutível, há ainda interessantes testemunhos da arquitectura civil, nomeadamente da centúria de Setecentos. São casas alpendradas, janelas de guilhotina e aventais barrocos, que surgem um pouco por todo o lado nesta pequena localidade submergida pelo seu Mosteiro.
Importante será também visitar por detrás do edifício da Câmara Municipal, a igreja matriz, onde Boitaca deixou em 1532 um esplêndido portal de sabor renascença, com decoração manuelina. Algumas casas antigas e típicas também merecem atenção. Uma velha ponte (Ponte de Boitaca) que serviu a antiga estrada Lisboa – Porto agoniza agora, à espera do milagre que a salve.
Quem dispõe de tempo para ficar na batalha a pernoitar ou a fazer da localidade uma base para surtidas turísticas, deve ir ao Reguengo do Fétal  (na estrada de Fátima e a caminho de Tomar), a São Jorge e às Cortes, para tomar a realidade das terras que fazem fronteira entre a beira Litoral e a Estremadura.
Em São Jorge, uma capela histórica, também ligada à batalha de Aljubarrota, evoca a figura do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, que a mandou construir.
MOSTEIRO DA BATALHA
De frente para a fachada principal voltada a poente, podemos admirar os belos rendilhados e a profusão de ogivas elegantes e esguias a quererem subir mais alto, desprender-se da terra e furar a cúpula do céu.
O pórtico principal, de arco quebrado, é de extrema beleza e tem a assinatura do mestre Huguet. Nele sobressai o tímpano com baixos-relevos dos 4 Evangelistas (São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João) aureolados dos seus atributos e a ladear Cristo na figura central, sentado no trono e o mundo na mão esquerda. Sobrepuja-o baldaquino ricamente decorado e nos intervalos dos colunelos estão dispostas as estátuas dos 12 Apóstolos. Por cima, um janelão (para iluminar a nave) e varanda rendilhada. Entretanto através do pórtico depara-se-nos a imponente igreja (planta de cruz latina), de três naves e estilo gótico primário. Impressiona-nos pela vastidão. Subindo a nave, admirem-se os valiosos e artísticos vitrais manuelinos da capela-mor, que representa cenas do Nascimento, por onde entra a luz para os dois andares da abside. Talvez fossem desenhados por Francisco Henriques, o melhor oficial de pintura do tempo de D. Manuel l.
CAPELA DO FUNDADOR:  De planta quadrada e corpo central octogonal, fica a nave colateral sul, onde se dispõem magníficos sarcófagos, destacando-se, ao centro, o duplo túmulo (conjugal) de D. João l e de sua mulher D. Filipa de Lencastre que figuram, jacentes, na tampa decorada da arca funerária. De mãos dadas e olhos abertos, ele de armadura, empunha a espada de Aljubarrota; ela, de manto e túnica talar.
Seguem-se os túmulos de D. Pedro, na parede sul, mostrando os símbolos reais (balança e escudo), do infante D. Henriques, dos infantes D. João e D. Fernando,, D. Pedro V, D. João ll e do príncipe D. João.
CAPELAS IMPERFEITAS: (não têm abóbada). Distinguem-se do conjunto e designam-se assim por terem ficado inacabadas. São sete capelas radiais inscritas num octógono, planeadas por Huguet e mandadas erigir por D. Duarte para panteão.
Obra-prima do estilo manuelino é o pórtico concebido por Mestre Mateus Fernandes, que lhes dá acesso.
Outro núcleo conventual importante, a norte da igreja, é o Clautro Real de decoração profusa e artisticamente elaborada no meio dos arcos ogivais das galerias. Curiosa é a abóbada (em cruzada ogival) dos corredores suportada por colunelos enfaixados e capitéis decorados. A autoria deste trabalho pertence a Mestre Afonso Domingues.
Referência ainda para a Sacristia, Refeitório e Sala de Capítulo. Este último, de planta quadrada e audaciosa abóbada estrelada, alberga o túmulo do Soldado Desconhecido e ainda famosos vitrais.
O Mosteiro da Batalha demorou cerca de 200 anos a construir.
BATALHA DE ALJUBARROTA
Travada entre os exércitos de D. João l de Portugal e de João l de Castela (ainda não existia o país que hoje é Espanha). Uma das mais gloriosas batalhas da História de Portugal, em que o génio militar do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira e a bravura dos seus 6.500 homens, desbarataram um exército de 32 mil soldados castelhanos. A vitória assegurou a independência de Portugal.
POR SÃO JORGE !!! POR PORTUGAL !!!!!
Era o grito dos soldados portugueses !
Na manhã do dia 14 de Agosto de 1385, horas antes de se ferir a Batalha de Aljubarrota, os soldados portugueses comandados por D. João l e pelo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, aguardaram a chegada das tropas castelhanas, no local onde hoje existe a ermida de São Jorge.
 

Foi nesse local a cerca de 8 Km onde se ergue o Mosteiro da Batalha, local então despovoado, que os portugueses formaram o seu célebre quadrado guerreiro, aguardando serenamente o ataque dos numeroso e luzidio exército castelhano.
Os combatentes portugueses de Aljubarrota invocaram a protecção de São Jorge para o bom exito da sua nobre causa e, tendo sido alcançado esse êxito, mandou O Condestável, D. Nuno Álvares Pereira erigir uma ermida, em honra do santo invocado, no sítio onde as hostes portuguesas aguardaram o exército castelhano. Os combatentes portugueses usavam como distintivo, a cruz de São Jorge. A ermida de São Jorge, que da sua primitiva construção já hoje pouco resta é, pois, um modesto e votivo padrão comemorativo. A primeira pedra desta ermida, que hoje é considerada Monumento Nacional, foi colocada em Agosto de 1392, sete anos depois da vitória de Aljubarrota e três anos depois de se ter dado início ao grandioso Mosteiro da Batalha.
A povoação, que se desenrolou junto desta Ermida, tomou o nome de São Jorge.
Neste trabalho foi referida a figura histórica do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira
Também conhecido como “O Santo Condestável”. Ilustre guerreiro, nasceu em Cernarche do Bonjardim, provavelmente em 1360. Foi escudeiro de D. Leonor Teles e, ainda adolescente, distinguiu-se por actos de extraordinária intrepidez. Foi mais tarde o mais fiel amigo do Mestre de Avis (mais tarde D. João l) e o seu mais denotado capitão. Tendo pouco mais de vinte anos, derrotou os castelhanos em 1384 no recontro dos Atoleiros. Representou um glorioso papel no dia 14 de Agosto de 1384, na Batalha de Aljubarrota. No ano seguinte voltou a ser triunfante na Batalha de Valverde, já em território castelhano.
D. João l, que já o nomeara Condestável do Reino, encheu-o de honras e de mercês.
Depois da expedição a Ceuta (norte de África) em 1415, renunciou a todos os seus títulos e cargos, e recolheu-se no Convento do Carmo que fundara em Lisboa.
As ruínas deste convento ainda hoje existe e onde está o Museu Arqueológico de Lisboa. Morreu em 1431.
SÃO JORGE
Um dos santos mais venerados do Brasil e também em Portugal.
São Jorge abraçou a carreira das armas e foi mártir no ano de 303, depois de Cristo, e sob o domínio de Diocleciano.
A Inglaterra tornou-o por patrono em 800 e foi também tomado como patrono da várias ordens militares.
A Ordem da Jarreteira, criada em Inglaterra no ano de 1348, por Eduardo lll, foi também colocada sob protecção de São Jorge, cuja divisa é:
“ QUEM NÃO CONQUISTA E VENÇA NÃO VIVE !!!”

 

 

 

 

Bombarral – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Começou a ser povoada a partir do século Xll.

Nos Primórdios da Nacionalidade, as terras do Bombarral foram doadas por D. Afonso Henriques, aos monges de Cister, ao quais exerceram profunda influência nos métodos e técnicas agrícolas. Antes da Batalha de Aljubarrota, o Mestre de Aviz (D. João l) hospedou-se na Casa do Paço (Casa da Coutada), hoje edifício dos Paços do Concelho. Em 17 de Agosto de 1808, a terra bombarralense serviu de palco `Batalha de Roliça, entre os invasores franceses e o exército anglo-luso.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Bastará notar-se que não faltam documentos do século Xlll, em que a mesma povoação (modernamente sede de concelho do Distrito de Leiria) é designada com as grafias Monbarral, Mon Barral e Mons Barralis. Qualquer destas designações primitivas mostra claramente que não se trata de Bom Barral, mas sim de Monte Barral. No século XlV já aparece escrito Bombarral, como se verifica em documentos da época, o que nos leva a concluir que foi nesse século que se operou a transformação do primeiro elemento. Quanto ao segundo elemento, querem uns que Barral tivesse sido formado de barro, por alusão ao facto de grande parte dos terrenos locais serem argilosos, não faltando até na região várias propriedades rurais com designações formadas com o mesmo nome – Barro da Rainha, Barro do Sobral, Barros dos Casais, etc.

Outros autores, porém, não admitem esta hipótese, afirmando que o nome não foi dado por causa da natureza do terreno, mas simplesmente o seu primitivo dono tinha o apelido Barral, isto é: Mons Barralis era Monte do Barral, quer dizer, Monte de um indivíduo chamado Barral”.

 

Bombarral
http://www.oesteonline.pt/
BOMBARRAL
Apresentação do Concelho
Município da Estremadura, pertencente ao Distrito de Leiria, à Associação de Municípios do Oeste e à Região de Turismo do Oeste.
É uma região agrícola coberta de vinhas e pomares. Bombarral, sede de concelho, situa-se numa fértil planície de aluvião, apenas a 50 metros de altitude, orlada de outeiros pouco elevados.
Concelho com povoamento recente, documentado desde a pré-história pelos achados arqueológicos das Grutas da Lapa do Suão e das Pulgas, Castros de São Mamede e Carvalhal. A Estação Arqueológica da Columbeira fica dentro dos limites da localidade que também ficou célebre por nela se ter travado, contra os franceses, a Batalha da Roliça. D. Afonso Henriques doou as terras do Bombarral aos monges de Cister que exerceram vasta influência nos métodos das técnicas agrícolas. Pertenceu mais tarde ao termo e Castelo de Óbidos.
Gastronomia: Cabrito assado, os mimosos e óptimos vinhos.
Artesanato: Loiça artística (cópias do séc. XVI a XIX), azulejaria, encadernação, trabalhos em vime, madeira e arame.
A visitar: a igreja de Madre de Deus (séc. XVII), Ermida de S. Brás (séc. XV), azulejos da estação dos caminhos de ferro, palácio dos Gorjões (séc. XVI), com jardins e Anfiteatro Cultural e o Museu Municipal (arqueologia, escultura).
Nos arredores: Santuário do Bom Jesus do Carvalhal, Igreja do Santíssimo Sacramento (séc. XVIII), ermida de Nossa Senhora do Socorro com bonitos azulejos (séc. XVIII), Torre dos Lafetat (séc. XII), Solar dos Louridos, igreja Matriz da Roliça.
Todos os anos se realiza o Festival do vinho, Festival da música, Feira da Pêra Rocha, Semana Gastronómica.
Turismo: Bons restaurantes, Posto de Turismo e Turismo no Espaço Rural.

 

Bombarral
http://www.bomportal.net
No início do Séc. XIII, Bombarral, seria apenas uma Granja ou Herdade pertencente ao Mosteiro de Alcobaça. Os monges de Cister, ordem religiosa de São Bernardo, a partir daquele mosteiro, desbravaram terras e desenvolveram a agricultura em toda a zona dos Coutos de Alcobaça (actualmente correspondente aos concelhos de Alcobaça, Nazaré e ainda algumas freguesias de Caldas da Rainha) e nalgumas granjas mais distantes que lhes tinham sido doadas, como era o caso de Bombarral.
Etimologia
Bombarral, no Séc. XIII, chamar-se-ia Monbarral; topónimo que com o decorrer dos anos veio a degenerar em Bombarral. A explicação mais provável para a origem do nome seria Monte (Mons) do Barral, possivelmente o seu primitivo dono. Esta tese, considera sem sentido a teoria que apontava a terra como tendo um bom barro, na altura da sua fundação.
Origem da Paróquia do Bombarral
Não é conhecida a data da sua criação mas sabe-se que na primeira metade do Séc. XVI já existia a Paróquia do Bombarral. A sua primeira Igreja Matriz foi a antiga Igreja de São Brás, destruída por um tremor de terra em 25 de Janeiro de 1531. Em consequência disso, em 1538, foi construída a nova Igreja dedicada Santíssimo Salvador do Mundo, no local actualmente denominado Largo João Ferreira dos Santos, onde está construído o Hotel Comendador. Por sua vez, no local da primeira Igreja de São Brás destruída pelo tremor de terra, foi construída uma ermida, dedicada ao mesmo patrono São Brás, onde continuou no tempo a realizar-se a feira anual. Mais tarde, depois da criação do Município (1918) , junto à ermida de São Brás o espaço envolvente foi reservado para Cemitério municipal.

 

 

 

 

Caldas da Rainha – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

Foi fundada pela rainha D. Leonor de Lencastre, mulher de D. João ll, em 1485, ao mesmo tempo que a Misericórdia e o balneário. As águas termais foram utilizadas como curativo por D. Leonor e quase todos os monarcas, no decorrer dos séculos, o que conferiu grande reputação a estas águas.

A palvra desfalece-nos para descrever as Caldas da Rainha; a beleza sonhadora e a hospitalidade da sua gente. Geologicamente, este Distrito é limitado a leste pela Serra dos Candeeiros e a oeste pelo Oceano Atlântico.

Origem do nome:

«Fernando Correia em “A Fundação das Caldas da Rainha – 1932»: “As Caldas da Rainha foram fundadas, como se sabe, pela rainha D. Leonor de Lencastre.

Tês versões explicam o modo como os factos se passaram e outras tradições nos dizem o motivo que levou a mulher de D. João ll a resolver edificar o Hospital Termal e, em volta dele, a vila a que deu o título.

Segundo a primeira, a rainha teria passado pelo lugar das nascentes, em Julho de 1484, ao ir de Óbidos para a Batalha, onde o marido a esperava, para juntos assistirem às exéquias por alma de D. Afonso V. Vendo banharem-se numas fontes fumegantes alguns doentes, teria perguntado aos da sua comitiva a razão por que eles se banhavam, sendo-lhe respondido que as águas eram excelentes para aliviar dores, o que levou a rainha, impressionada pelo desconforto com aquela gente se tratava, a fazer o voto de construir um hospital para que eles tivessem melhor comodidade em suas curas.

Outra versão diz que a rainha fora àquelas águas tomar banhos, por indicação de seus médicos, para alívio de dores com que ficara a seguir ao mau sucesso que a história nos diz que sofreu na Quaresma de 1483, mandando construir o hospital em prova de gratidão pela sua cura.

A terceira versão refere-nos que a rainha viajava de Coimbra para Óbidos, que ao passar pelo sitio vira os pobres a banhar-se, e, sendo-lhe dito que as águas eram excelentes para curar dores e chagas, resolveu experimentar o seu efeito num “cancro” de que sofria, que curou milagrosamente, pelo que fez logo voto de erguer ali um hospital.

Estas três versões, referidas pelo mais antigo cronista das Caldas da Rainha, Frei Jorge de São Paulo, que escreveu em 1656, foram por ele colhidas da tradição oral”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “A denominação das Caldas da Rainha provém das suas termas e da sua fundadora, D. Leonor.

A povoação nasceu, pois, no século XV, chamou-se primeiramente apenas Caldas e só a partir do século XVlll – para a distinguir de outras Caldas ou para homenagear a memória da sua fundadora – recebeu a designação actual, que é, portanto, moderna.

Pelo decreto 14.157, de 11 de Agosto de 1927, Caldas da Rainha passou a ter oficialmente a categoria de cidade”.

 

Caldas da Rainha
http://www.oesteonline.pt/regiao/caldasdarainha.
CALDAS DA RAINHA
Apresentação do Concelho
Município da Estremadura, pertencente ao Distrito de Leiria, à Associação de Municípios do Oeste e à Região de Turismo do Oeste.
A cidade das Caldas da Rainha, sede do Concelho, situa-se entre Alcobaça (a norte) e Óbidos (a sul), distante 8 Km do Oceano e a 66 metros de altitude. É a cidade da luz, romântica, graciosa, discreta e diáfana. Zona de micro-clima, com temperatura média entre os 15 e 18 graus e pluviosidade fraca.
Caldas da Rainha é uma Cidade Termal, fundada nos finais do século XV pela Rainha D. Leonor, esposa do Rei D. João II, centro de uma região e sede de um Concelho depositário de um valioso património histórico-cultural e possuidor de grandes potencialidades turísticas. As suas termas de águas sulfurosas são reputadas desde os tempos remotos, pois já os Romanos as utilizavam como testemunham documentos arqueológicos, as praias de Foz do Arelho e Salir do Porto, a maior e mais encantadora lagoa costeira do nosso país, os campos sempre verdes transportam para o mercado diário as frutas e legumes cuja a fama ultrapassa as fronteiras do Oeste.
A gastronomia é rica e variada, com destaque para os bivalves, enguias, choquinhos, robalos e linguados da Lagoa, acompanhados com deliciosos vinhos brancos muito aromáticos das encostas de Alvorninha. As trouxas de ovos, as cavacas, as lampreias e o beijinhos.
Veja-se na cidade o Hospital Termal mais antigo do mundo, a Igreja e Nossa Senhora do Pópulo (ambos do séc. XV), a ermida de São Sebastião (séc. XV), o fontanário das Cinco Bicas (séc. XVII), O Passo real (séc. XVII), as fabricas de cerâmica autênticos museus vivos cujo o nome Bordalo Pinheiro elevou bem alto na fabrica que fundou e que hoje labora com assinalável êxito.
Nos arredores da cidade, visita obrigatória às igrejas Misericórdia (séc. XVII) e Paroquial ( séc. XVI) em Alvorninha, à Ermida São Jacinto (séc. XVII) no lugar do Couto e quinta de Nossa Senhora de Guadalupe na Foz do Arelho.
Visitar Caldas da Rainha é ter acesso a um dos maiores conjunto de museus do nosso País. O museu José Malhoa onde se expõe a obra do grande mestre da pintura portuguesa. Os museus municipais dos escultores António Duarte, José Fragoso e Barata Feyo. O Museu do Hospital e das Caldas. O Museu do Ciclismo. O Museu de Cerâmica e o Museu da Fábrica Bordalo Pinheiro. O Centro de Exposições do Oeste, a oferta de lazer, a Escola Superior de Artes e Design e a Universidade Católica fazem de Caldas da Rainha uma moderna e competitiva cidade.

 

 

 



 

Castanheira de Pêra – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Beneficiou do foral concedido a Pedrógão por D. Manuel l, em 1513.

O primeiro documento que se conhece referente a Castanheira de Pêra, data de 7 de Maio de 1135, do então ainda príncipe D. Afonso Henriques, aos fidalgos Mónio e Fernando Martins, assim redigido: “Eu, Afonso, príncipe portucalense esta carta de doação e confirma firmo por minha mão”. O documento comprova a preocupação da posse e povoamento da região, para dificultar as tentativas dos muçulmanos. Estas terras, foram, ao mesmo tempo, palco de lutas entre cristãos e mouros, uma vez que nos limites passava a importante via de Coimbra a Santarém, o que conferia à região relevância estratégica nos planos e acções de reconquista do Condado. O povoamento foi continuado pelos monarcas seguintes.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “É mais uma designação aproveitada de nomes de vegetais. Do primeiro elemento, Castanheira, usado isoladamente, não faltam exemplos na nossa toponímia. Quanto ao elemento final, não é de aceitar que Pêra seja abreviatura de Peralta, nome duma suposta princesa, filha do lendário rei Arouce, senhor de domínios na região, como conta uma tradição local, sem nenhum fundamento fidedigno”.

 

Castanheira de Pera
http://www.cm-castanheiradepera.pt
Não tão poucas vezes se confunde com a lenda, perdendo-se na noite dos tempos e na memória dos homens.
É o caso de Castanheira de Pera cujas origens remontam certamente a muitos séculos antes do primeiro documento histórico comprovativo.
Com efeito, embora o primeiro documento conhecido referindo nomes de povoações do Concelho tenha a data de 1135 (Afonso Henriques), existe uma lenda que nos fala da princesa Peralta, filha de el-Rei Arunce, escrita em 1629 por Miguel Leitão de Andrada, nascido em Pedrógão Grande e que foi companheiro de armas de D. Sebastião nas areias fatais de Alcácer – Quibir.
Segundo a lenda, fugida de Conimbriga em consequência de invasão, Peralta acolhera-se com seu séquito na castelo de Arouce (Lousã). Daqui e por influência de Sertório – guerreiro romano que se colocara ao serviço dos lusitanos (e que por ela se apaixonara) é induzida a sair, através da serra em busca de seu pai. Por altura de Pera, morreu a sua aia, Antígona que ali mesmo foi enterrada. Sobre o coval uma pedra tumular que dizia "Antígona de Peralta aqui foi da vida falta". De acordo com a lenda, Vénus, a Deusa, que perseguia a Princesa de quem jurara vingar-se, além de tirar as sardas do rosto que tanta graça lhe dava e tê-las transferido para as trutas da ribeira, resolveu apagar parte dos dizeres tumulares ficando "Antiga de Pera". Refira-se a propósito que há autores que erradamente falam de Antígona Peralta. Ora Antígona era uma personagem (a aia), e Peralta outra (a Princesa).
A lenda é contemporânea da história. Mas se isso não lhe dá maior autenticidade, há alguns factos que ajudam a construir uma teoria.
Um dos pretendentes da Princesa Peralta era, segundo a lenda, Sertório.
Ora como já se referiu atrás, Sertório foi um guerreiro romano revoltando-se contra Roma, passou a chefiar os lusitanos cerca do ano 80 A. C.. De onde que a lenda se situa nesses anos e não no tempo da ocupação árabe como alguns autores declararam, talvez por, no ano 715/716 (séc. VIII) a cidade de Conímbriga ter acatado sem combate a invasão árabe e esta situação ter similitude com a que a lenda descreve.
Aliás, já no século V (anos 465/468), Conímbriga fora devastada pelos suevos, segundo Idácio.
Embora a história não registe qualquer invasão entre os anos 80/70 A. C., período em que decorre entre, a assunção da chefia das hostes lusitanas por Sertório e o seu assassino, não é difícil admitir lutas contra os romanos durante esse período, tanto mais que a cidade era, segundo a lenda, do Rei Arunce, aliado de Sertório.
Na lenda é referida a criação de Certago (Sertã) por Sertório, fixando-se Conimbriga como distante de Certago – menos de vinte léguas – sendo essa aproximadamente a distância entre Condeixa e Sertã.
A propósito de Conímbriga, note-se que a palavra tem origem céltica, sabendo-se que a povoação já existia antes da ocupação romana que se verificou na segunda metade do séc.II por Décimo Júnio Bruto.
Por Conímbriga passava a estrada romana de Lisboa a Braga que é referida no contestado itinerário de Antonino.
O percurso era o seguinte:
- Olissipos - Lisboa
- Ierabriga - Povos ou Alenquer
-Scalabios - Santarém
- Selum - Próximo de Tomar (Asseiceira?)
-Conímbriga - Condeixa
-Aemínio - Coimbra
- Talabriga - Próximo de Cacia
- Langobriga - Vila de Feira
- Calém - Gaia
- Bracara - Braga

Voltando à lenda da Princesa Peralta, nela é referido o castelo de Arouce. Este castelo foi construído pelo Conde D. Sesnando, governador de Coimbra em 1080, mesmo ano em que fundou o de Penela.
Segundo historiadores, Arouce (não confundir com Foz de Arouce) era o centro populacional à volta do castelo e tal era da sua importância que em 1151, Afonso Henriques dá-lhe foral designando-a por Arouzi cuja origem é Céltica.
As raízes da Lousã estão pois, ao que defendem muitos autores, em Arouce, e só muitos séculos mais tarde viria a fixar na várzea onde se encontra, com quanto se admita que os romanos já por ali se tivessem situado.
Já dissemos que na lenda se relata, que da inscrição na pedra tumular de Antígona, velha aia de Peralta, apenas ficou "Antiga de Pera".
Em reforço da veracidade da presença da Princesa, salvo os exageros míticos, por estas paragens, está um achado numismático ocorrido em 1945, no campo da Retorta (hoje heliporto). Para abertura do terreno do jogo haviam-se feito algumas escavações e durante o desafio de inauguração, um atleta Castanheirense – Sertório dos Santos Fonseca – encontrou uma moeda romana.
Pelo estudo efectuado pelo ilustre numismata, Dr. Arnaldo do Brasão e publicado n’O Castanheirense de 23 de 1950 é observado o seguinte:
"Pela descrição e pelo decalque feito a lápis que gentilmente me foi cedido, de facto, trata-se de uma moeda romana certamente um denário, bem conservado porque é fácil identificar a sua época.
Compulsando o belo estudo do Sr. F. Russel Cortez, sobre o valioso tesouro monetário do lugar de Paio (Concelho de Sabrosa) e publicado na excelente revista Numus, Nº 1, pág. 6, e comparando as descrições feitas naquela revista e no Castanheirense, o Anverso da moeda romana representa o rei Sabino Tatius, e o Reverso representa dois guerreiros.
Quando a legenda temos: Sabin, ou Sabinus, e no Reverso L. Tituri, quer dizer Lucius Titurius, da família Tituria e viveu o ano 89 antes de Cristo.
Há umas pequenas divergências que facilmente se explicam. Os dois sabinos, e a cabeça do família Ttituria e viveu o ano antes de Cristo.
Há umas pequenas divergências que facilmente se explicam. Os dois sabinos, e a cabeça do rei Tatius deveria ser nua e barbuda e diante de uma palma.
Não é bem isto que se vê no decalque, mas estas divergências podem atribuir-se à acção destruidora do tempo, a não ser que se trate de novo exemplar não classificado ou identificado."
Os mais antigos de Pera recordam-se com efeito, de ouvir falar aos seus avós da denominada "Pedra da Antiga" que dizem ter sido enterrada na fundação de uma casa. Verdade também é que ao alto de Pera existe um local Antiga e a estrada de Antiga; como um facto é a existência de Pera e do Bolo há muitos anos.
As Lendas
As lendas ou contos como as pessoas lhe chamam, pertencem a uma tradição oral que se vem perdendo a passos largos, apenas nos sendo possível, recolher um pequeno número junto das pessoas mais idosas e ouvir alusões a outras que ninguém "achou fio à meada".
Referem quase sempre histórias de mouros e de riquezas e um outro tipo está relacionado com imagens de Santos que aparecem em diversos sítios, porque nesta zona nunca se atribui origem às imagens mais antigas.
Uma das histórias refere-se a certa velhota que passando junto da Ribeira de Pera num local de Sarzedas do Vasco, de uma senhora muito bonita e bem vestida que sobre um lençol muito alvo (branco) dispunha explêndidas jóias. A velhota ficou espantada com tanta riqueza e formosura e exclamou: "Benza-te Deus!" Logo nesse instante tudo desapareceu para dentro de um buraco, incluindo a formosa senhora e isto porque a velhota, ao falar em Deus, quebrou o encanto.
Resta acrescentar que posteriormente esse local foi muito escavado na busca das riquezas que nunca apareceram.
- Outra história refere a Moira bonita e bem arranjada que aparece em determinados locais a chorar e a fiar.
- Quem sonhar três dias seguidos com o mesmo local deve lá ir procurar uma grande riqueza que lá o espera...
- Contam que no pinhal da Cumeada estão enterrados dois potes lado a lado, um deles está cheio de riquezas (libras de ouro mouras) e o outro de pólvora e outros materiais perigosos; mas ninguém lá mexeu porque se cavam no errado, ele rebenta...
- Na aldeia da Salaborda Velha, vizinha do Concelho de Castanheira, um pouco afastada da sua povoação, situa-se uma mina de ouro. Dizem as pessoas que se ignorava completamente a sua existência, porque um grosso carvalho lhe tapava a entrada e só quando o carvalho caiu viram a porta da mina. Quando entraram esta tinha muitas prateleiras com riquezas várias.
Não se entendem as pessoas quanto à origem da mina. Para uns, ela seria dos mouros; para os outros, dos romanos.
É difícil a entrada na galeria da mina, visto encontrar-se cheia de água.
- Outro tipo de contos é o que refere, por exemplo, a imagem de São Pedro das Sarzedas de S. Pedro que não queria ir para a capela nova que lhe tinham construído e sempre de lá fugia e encontravam-no no local da capela velha. Era necessário um grande esforço para o trazer de volta e tornava-se tão pesado que iam lá os homens com os carros de bois e não lhe suportavam o peso.
- Nas Sarzedas de S. Pedro existia também a superstição ligada à chave da Capela Velha, que colocada junto à barriga das parturientes lhes aliviava as dores.
- Lenda da Moura do Souto do Vale
Era uma noite negra de Inverno.
O vento assobiava por entre os pinheiros, ao mesmo tempo que os trovões se sucediam.
Os relâmpagos alumiavam de vez em quando, a serra.
Chovia torrencialmente.
Alguém bateu à porta de um casebre do Souto do Vale, onde vivia uma pobre velha.
Acuda, boa mulher, preciso que venha assistir a quem vai dar à luz.
Resmungando, a velha, abriu a porta e fazendo os preparativos saiu à rua, guiada pelo homem que a chamava.
Andaram algum tempo, zurzidos pela chuva que encharcava até aos ossos, tocada como era pelo vento.
É ali, naquela Gruta!
Era uma gruta cavada na rocha, escondida entre pinhais.
Dentro, uma bela moura. Gemia, nas angústias de parturiante.
A velha persignando-se, aflita, aprestou-se nos trabalhos de assistir ao parto.
Nascida a criança, o homem que acompanhara a velha, deu-lhe como paga uma saca de carvão.
Raios – praguejou a velha – tem uma pessoa um trabalho destes e a paga é ter que carregar com o carvão.
Meteu-se a velha no caminho de regresso e notou que a saca estava rota e que ia perdendo o carvão.
Ora ainda bem! É da maneira que não vou tão carregada!
E o carvão foi-se perdendo!
Chegada finalmente a casa, encharcada, a velha pragueja contra a sorte.
Ao poisar a saca quase vazia, a velha admirou-se ao ver que o carvão se transformara em moedas de ouro.
Sobressaltada, voltou a velha atrás em busca do carvão perdido pela serra abaixo, certa que iria encontrar mais ouro, mas qual o seu espanto ao encontrar mais nada do que carvão molhado.
Desanimada prosseguiu o caminho, direito à mina, mas da Moura nem rastos. Desaparecera!

- Lenda de S. Domingos (Eis como descreve Frei Luís de Sousa)
..."e foi a razão de se edificar aqui, que andando huma minina guardando gado, deu com uma imagem de vulto entalada entre dois penedos. Esem saber de que santo era, nem se era de santo, com santa simplicadade, continuava em fazer oração diante d’ela. Vindo à notícia dos vizinhos, e moradores da Ribeira, acudirão a ve-la, e achando que era de São Domingos, nos sinais do hábito, e insígnias que trazia consigo, edificaram-lhe, no mesmo lugar, huma pequena Ermida, na qual fundarão depois freguesia. Porque, como da Ribeira a Pedrógão, d’onde erão freguezes, ha duas grandes legoas, e de fragoso caminho, aproveitarão-se da commodidade, alargando a Ermida".

- Lenda do Coentral
Segundo uma versão muito antiga, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré que se Venera no Coentral apareceu um dia – há muitos anos – em plena Serra da Lousã, no local denominado: Pedra do Altar, a Vale dos Lobos, não muito longe da sede da freguesia.
Encontrada ali, talvez por pastores, e conhecido o facto na redondeza, fora então levada para a Lousã, no desejo de a colocarem na respectiva Igreja para veneração dos habitantes daquela terra.
Porém, pouco depois de a terem instalado num altar do seu tempo, os lousanenses verificaram estupefactos, que a imagem havia desaparecido.
Diligenciando na procura, vieram encontrá-la no mesmo local de onde a haviam conduzido.
Levaram-na de novo para a sua Igreja e novamente a veneranda imagem desaparecera para surgir na Pedra do Altar, onde pela primeira vez fora vista. Repetira-se várias vezes esta tentativa até que, sem esperança de melhor êxito, acabaram os naturais daquela terra por desistir de conseguir para a sua Igreja a sacrossanta imagem.
O povo do Coentral trouxe-a então para a colocar no altar-mor da sua Igreja. Desde essa data a Imagem de Nossa Senhora da Nazaré ficaria definitivamente no Coentral, onde, aliás segundo reza ainda a tradição, a Virgem Senhora demonstra desejo de permanecer.

- Lenda da Princesa Peralta (resumo)
Conta a lenda que existia um reino poderoso cuja capital era Colimbria. EI-Rei Arunce era dono e Senhor, reinando um tanto despoticamente e para melhor manter o poder, desarmara o povo que vivia na maior miséria.
Na corte, porém, o fausto era imenso e as festas e recepções sucediam-se ante o gáudio das damas que a isso muito eram dadas.
Entre as damas salientava-se Peralta, não só por ser filha do rei mas porque era donzela dotada de grandes formosuras.
A Sertório, o famoso guerreiro, não lhe desmereciam os encantos da bela Princesa e não se descuidava, mandando mensageiros. Também na corte eram muitos os pretendentes. Porém, a todos, Peralta, desiludia.
E os tempos foram correndo na corte entre caçadas reais e orgias faustosas, sem qualquer espécie de interesse ou cuidado pelo culto das divindades.
Enquanto que na terra reinava o descontentamento entre os fidalgos, nas alturas os deuses demonstravam cada vez maior aborrecimento pelos desvarios da juventude.
Foi então que Vénus, a mais inquieta e ofendida de todas as divindades, resolveu vir ver com os seus próprios olhos o que se passava. E transformando-se em velha, apresentou-se na corte de Colimbria sob andrajosas vestes. Facilmente se conseguiu insinuar e aproveitou para dar longos conselhos, plenos de experiência, às levianas donzelas da corte.
Foi porém sempre escutada com ares de mofa e de impensada tolerância pretendendo as damas servir-se da profunda ciência oculta de que a velha parecia possuída para Ihes desvendar os corações dos enamorados.
Isto muito agastou a feiticeira que ali mesmo jurou vingar tanta loucura e sacrilégio.
E o certo é que passadas poucas luas foi o reino poderoso invadido e transformado em humilhante escravatura.
Não teve EI-Rei Arunce força para corresponder aos ataques inimigos, retirou-se rapidamente em busca de reforços. Mandou, entretanto, Peralta e o seu séquito para um castelo que possuía nas faldas das montanhas da Lousã.
Ali se passaram tediosos dias até que um raio de esperança os veio acalentar.
Como por encanto aparecera naquelas paragens um mago, o poderoso Estela.
Este, mais não era que o enviado de Sertório que não desistindo dos seus intentos, a todo o transe procurava casar com Peralta.
A argúcia e natural habilidade do feiticeiro breve o fizeram insinuar no castelo e à custa das suas demonstrações e inteligentes argumentos conseguiu convencer Peralta que EI-Rei a esperava em Sertago, à frente dum poderoso exército.
Os verdes anos da Princesa, a despeito dos prudentes conselhos da sua fiel aia, Antígona, e do velho Tibério, facilmente se enredaram em tão agradável aventura.
Assim, e sob as indicações do hábil Estela, imediatamente se aprestaram os preparativos para a jornada.
Desta forma todo o séquito acompanhou a Princesa guiado sempre por Estela e assim chegaram aos cimos da serra e a foram atravessando.
Jornada de tal jaez era porém demasiada para a debilidade da velha Antígona. Uma trovoada imensa obrigou-os a acoitarem-se numa gruta e ali faleceu a fiel Antígona.
Desditosa, Peralta, chorou imensamente a morte da companheira e quase desistiu de tão tormentosa viagem.
Sobre a sepultura da pobre aia se colocou uma laje com a seguinte inscrição:
«ANTIGONA DE PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA».
E a jornada continuou.
A Princesa fizera entretanto voto de mais não comer nem beber pelo que muito foi o espanto dos acompanhantes quando a insistência de Estela que lhe perguntava se queria água, lhe respondeu: VOLO!
Prosseguindo, mais animada, na jornada, avançavam a caminho da almejada Sertago.
Porém Vénus vigiava a caravana e resolve acabar com tanta desdita. Envia um poderoso raio que transforma os acompanhantes em montanhas e a bela Peralta numa formosa sereia que ficou vivendo nas águas que brotavam da serra onde ficara para sempre Antígona.
E conta a lenda que esse raio poderoso desfez igualmente a lápide onde para a posteridade apenas ficava da primitiva inscrição, a seguinte apagada legenda:
ANTIG…A DE PERA…
E dos sítios onde Peralta disse «VOLO» nasceu o Bolo, enquanto das paragens onde existia o túmulo, surgiu Pera.
E de toda esta lenda maravilhosa nasceu CASTANHEIRA DE PERA.

 

 

 


 

 

Figueiró dos Vinhos – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

  O concelho de Figueiró dos Vinhos tem uma área de 183,8 Km2, e é envolvido a Norte pelos concelhos de Penela, Miranda do Corvo e Lousã; a Sul pelo de Ferreira do Zêzere; a Oeste pelos de Alvaiázere e Ansião; a Este, pelos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra.
          "Chama-se Figueiró dos Vinhos, pelas muitas figueiras e excelentes vinhos que ali abunda."
          (Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal – 1874)
     
          "Nesta expressão toponímica, temos o mesmo nome comum figueiró, figueira pequena, por figueirola, de figueira, da latim ficaria"
          (Tópicos e Gentílicos de Xavier Fernandes – 1944)

Praça do Brasil
          Anterior aos primórdios de Portugal, foi repovoada em 1147 pelo rei D. Afonso Henriques. Tomada pelos mouros em 1180, foi retomada e novamente povoada por D. Sancho 1º, que lhe deu foral em 1189. Já recebera, porém, mercês e privilégios em 1174 de D. Pedro Afonso, filho natural do primeiro rei. D. Manuel 1º outorgou-lhe foral em 1514. Dessa época encontram-se, na parte antiga da vila, diversos pórticos manuelinos e a bela Torre da Cadeia, construída em 1506 . A Igreja Matriz de São João Baptista, exibe no altar-mor belos azulejos do século XVll e um precioso retábulo do pintor José Malhoa. Pela nave vêem-se pinturas maneirinhas, valiosas obras de escultura e a arca tumular de Ruy Mendes Vasques, datada de 1456, que foi senhor de Figueiró. Na Igreja do Convento das Carmelitas podem apreciar-se os antigos claustros e azulejos do século XVll. A vila mostra, os seus dotes artísticos nos belos canteiros e nos arbustos esculpidos no seu lindíssimo Jardim-Parque. Pertença do Clube Figueiroense é a estátua de Camões e o escudo do busto da República, respectivamente dos escultores Simões de Almeida, Tio e Sobrinho. Digna de visita é também a casa "Casulo" onde o pintor José Malhoa (*) viveu até à sua morte.
          (*) José Malhoa nasceu em 1855, nas Caldas da Rainha e morreu em 1933. Autor dos quadros, "O Emigrante"; "Seara Invadida"; "Descobrimento do Brasil"; "A Sesta" e outros.
          A escassos 7Km de Figueiró dos Vinhos, na foz da Ribeira de Alge, encontram-se as ruínas das ferrarias que ali existiram no século XVlll, até 1761, e onde se fabricaram peças de artilharia naval e de fortificações. Reconstruídas em 1802 por José Bonifácio de Andrada e Silva (*), lente de Metalurgia da Universidade de Coimbra, Intendente-geral das Minas e Matas do Reino, e mais tarde patriarca da Independência do Brasil, as ferrarias vieram a ser dirigidas, entre 1802 e 1809, pelo barão de Eschwege, o célebre arquitecto do Palácio da Pena, na Serra de Sintra. No caminho, tem interesse admirar as Fragas, ou Penhas, de São Simão e ir ao cabeço do Peão. Aí, a uma altitude de 539 metros, pode-se apreciar um vasto e belo panorama. Quem goste de contemplar a paisagem de pontos mais altos, deve subir à serra de São Neutel, que fica a 543 metros de altitude.
          Nesta região turística, a 72 Km da sede do Distrito (Leiria), a Vila de Figueiró dos Vinhos situa-se a cerca de 450 metros de altitude, na margem direita do Rio Zêzere, no sopé de uma colina abrigada pelo monte de Santo António do Peão ( a 539 m.) e Serra de São Neutel (a 543 m.). É banhada por ribeiros que nas épocas de invernosas transbordam dos leitos apertados, precipitando-se em rápidos cursos nos rios. Com identidade geográfica própria, os panoramas de belezas variadas e a tranquilidade que se desfruta em contacto com a Natureza atraem muitos turistas a estes sítios onde se encontram ares sadios e o sossego do campo. A antologia de paisagens cria emoção própria: vinhas, pomares, floresta, penhascos e inúmeras ribeiras que se despenham em cascatas (cachoeiras) emprestam à região paradisíaca, de tons inesgotáveis, os atributos que fazem dela estância privilegiada de turismo do interior de Portugal. Limitando o Distrito de Leiria a Sul, com o Rio Zêzere a fazer a divisória, o concelho de Figueiró dos Vinhos acolhe as ramificações montanhosas da Serra da Lousã; à Serra da Aguda, junto à freguesia do mesmo nome, estão associadas as Serras de Arega e Santa Helena que fazem o prolongamento de São João (freguesia de Campelo). Pela sua latitude o clima devia ser temperado, mas as diferenças e a irregularidade do relevo, condicionam as condições climatéricas, acentuando diferenças entre as terras altas e baixas e provocando variações no que respeita a temperaturas cuja média anual é variável entre 10 e 15º C. Os Invernos são rigorosos e os níveis de pluviosidade grandes, para o que contribui a densa cobertura florestal da região.
          (*) José Bonifácio de Andrada e Silva :"Nasceu em Santos em 1765 e morreu na Ilha de Paquetá (Rio de Janeiro) em 1838. Exerceu papel preponderante junto de D. Pedro 1º do Brasil (4º de Portugal) na preparação da Independência do Brasil, o que lhe valeu o título de "Patriarca da Independência". Foi Ministro do Império do Brasil e tutor do herdeiro do trono (o futuro D. Pedro 2º) e de seus irmãos."

 

Figueiró dos Vinhos
http://www.uc.pt/coimbra/
Vila fundada nos alvores da nacionalidade portuguesa, recebe foral em 1204 das mãos de D. Pedro Afonso, irmão de D. Sancho I, que é renovado por novo foral outorgado em 1514 por D. Manuel.
A parte velha mostra vários pórticos manuelinos e a belíssima torre da Cadeia, construída em 1506.
A Igreja matriz de S. João Baptista apresenta, no altar-mor, lindíssimas talhas do séc. XVII e um valioso retábulo de Malhoa. A nave contém ainda diversas pinturas maneiristas, esculturas e o túmulo de Ruy Mendes Vasquez, senhor de Figueiró no recuado ano de 1456.
Na Igreja do Convento das Carmelitas podem ser admirados as talhas do séc. XVII nas capelas laterais e os antigos claustros.
A beleza esculturada dos jardins de 1930 e do parque da Casa-Museu de Mestre José Malhoa, outra das maravilhas oferecidas por esta vila.

 

 

 

 

Marinha Grande – (Concelho do Distrito de Leiria)

(Rainha dos vidros e dos moldes em aço para plásticos)

 

 

 

 


O concelho de Marinha Grande tem uma área de 190 Km2, e uma população próxima dos 36 mil habitantes.
O concelho é limitado a norte pelo de Leiria; a sul pelo de Alcobaça; a oeste pelo Oceano Atlântico; e a este pelo de Leiria.
Está envolvido pelo Pinhal de Leiria, numa área de 110 Km2.
Até meados do séc. XVIII, vivia quase exclusivamente da agricultura e do Pinhal do Rei (Leiria).
Em 1748, John Beare transferiu uma pequena fábrica de vidros que tinha em Coina (perto do Seixal, para a Marinha Grande. Mais tarde, o Marquês de Pombal convidou Guilherme Stephens para reestruturar e ampliar a fábrica.
Marinha Grande é uma pequena mas laboriosa cidade, conhecida em todo o mundo pela excelência da fabricação de moldes para plásticos.
A origem do seu nome talvez se deva à sua proximidade com o mar.
O concelho tem duas lindas praias: S. Pedro de Moel e Vieira de Leiria.
Para mais informações estou ao seu dispor.
"PINHAL DO REI"
Segundo a lenda, uma embarcação portuguesa vinda do Golfo da Gasconha, teria metido como combustível braças e lenha de pinheiros bravos dessa região. As pinhas ter-se-ão aberto com o calor e a tripulação, habituada a comer os pinhões do nosso pinheiro manso, teriam estranhado a semente muito mais pequena e com uma amêndoa insignificante para servir de comer.
Uma vez entrados no rio Lis, contaram o sucedido à Rainha Stª. Isabel, mostrando-lhe as sementes e dizendo-lhes que os pinheiros em França, estavam igualmente em terrenos arenosos e que se desenvolviam bem. Foi então deliberado lançar a semente à terra e, teria sido a Rainha quem transportou no seu avental, a arregaçada de penisco, até uma qualquer clareira existente no pinhal. Passados meses, a sementeira vingou e ficou linda e prometedora.
Quando el-rei D. Dinis voltou a aparecer, foi a própria Rainha mostrar-lhe, não só os trabalhos levado a cabo no Reguengo, como igualmente a sementeira do pinhal que teria feito pelas suas mãos. D. Dinis, ficou logo entusiasmado com o lindo desenvolvimento da sementeira e, desejoso em ter em abundância material para a construção naval, teria dito aos mareantes que, para a outra viagem lhe trouxessem mais sementes.
Vindo então o penisco e não pinhão, este foi lançado noutras clareiras e, o povo cheio de curiosidade e amor à terra, passou a ir ver o Pinhal do Rei e o seu desenvolvimento em franco crescimento.
Depois, a semente alada, transportada pelo vento e levada pelo homem, foi-se espalhando pela costa portuguesa, ao norte do Tejo, penetrou nas Beiras; e, deu-se bem em Portugal que alguns botânicos consideravam indígena o pinheiro bravo, quando parece ter sido a essência exótica introduzida no País. O Pinhal de Leiria (ou Pinhal do Rei), que inicialmente foi de todos que quisessem ir buscar madeiras e lenhas, deve Ter sido coutado pela primeira vez por D. Dinis, pois, D. Fernando 1 já lhe chamava "o nosso pinhal", e esse coutamento assim com as concessões dadas aos pobres de entre Paredes e Campos de Ulmar (Monte Real), dá princípio aos lugares que nasceram à sua volta e que se vão transformando em pequenos povoados. Um desses lugares é hoje a cidade da Marinha Grande.
São Pedro de Moel - A sala de visitas da Marinha Grande
         
"LENDA DO PENEDO DA SAUDADE"
Recordamos que "Penedo da Saudade" existem dois: um romântico situado em Coimbra, voltado para o vale do Calhabé, e o outro em S. Pedro de Moel. É deste que vamos contar a Lenda.
Contrariamente ao que possam imaginar, não vamos falar da Rainha Santa Isabel, da sua mantilha, nem das lágrimas de esposa traída pelo seu rei e senhor D. Dinis o "Lavrador", que gozava de fama (e talvez proveito) de ser uma grande sedutor.
O drama de que vamos falar (lenda), respeita aos Duques de Caminha: D. Miguel Luís Meneses e de sua esposa D. Juliana.
Este feliz casal vivia uma vida muito recatada no seu palácio, afastado do bulício e das intrigas da Corte e da política bem efervescente naquele ano de 1941.
Mas ...
Cert dia foram surpreendidos por um dos seus criados que anunciou a chegada do senhor Marquês de Vila Real, pai de D. Miguel de Meneses.
D. Juliana teve logo o presságio de que algo de grave se tratava, dado que se levantou empalecida. Em vão seu esposo, D. Miguel, tentava acalmar sua amantíssima esposa. Entretanto, mandou entrar seu pai.
Não obstante o desejo do Marquês falar a sós com seu filho, este insistiu para que a esposa ficasse presente.
"Seja !" - concordou por fim o Marquês de Vila Real. O seu aspecto era grave o que deixou o casal ainda mais inquieto. D. Miguel quis saber da visita de seu pai: "O que se passa, senhor meu pai ?...
Este encarou bem de frente o filho e retorquiu-lhe: "Senhor Duque de Caminha e meu filho, chegou a hora de el-rei D. João lV pagar a sua tirania ! A conspiração está organizada e, dela fazem parte o arcebispo-primaz, o Conde de Armamar, D.Agostinho de Vasconcelos, eu e vós !".
Muito surpreendido, D. Miguel que não havia sido anteriormente consultado, tentou não fazer parte da conjura: "Não meu pai !".
O velho fidalgo quase que fuzilou o filho com o olhar: "E se vos der uma ordem ?... não deveis trair-nos !". D. Juliana assistia atónica e horrorizada ao diálogo trágico travado entre seu sogro e o seu marido.
Cabisbaixo e bastante consternado, D. Miguel, não tendo outra alternativa, decidiu ser um dos conjurados.
D. Juliana, perante a louca decisão de seu amado esposo, caiu desmaiada num canapé, onde, momentos antes partilhava as carícias do esposo que tanto amava.
Gorada a conjura, feitos prisioneiros todos os conjurados, entre os quais estava o Duque de Caminha, foram encarcerados na fortaleza de S. Vicente de Belém (Torre de Belém - Lisboa).
Aí, no silêncio da noite, estendido nas palhas putrefactas do cárcere, D. Miguel tomou noção da sua fraqueza em ter acedido às ordens de seu pai ! Tomou então a decisão de escrever a el-rei pedindo-lhe perdão - mas em vão. D. Juliana também implorou a el-rei o perdão para o marido - mas também sem o conseguir.
D. Miguel de Meneses subiu ao cadafalso e com a morte pagou a fidelidade que o ligava a seu pai.
Inocente ?... Culpado ?... a decisão fora sua !
Para o povo, ele estaria inocente e pagou pelo crime do pai.
Refugiada em S. Pedro de Moel, a Duquesa de Caminha, ia todos os dias chorar as suas desgraças num penedo solitário. Os soluços que se soltavam de seu peito e as suas lágrimas, misturavam-se com as ondas do mar e foram-se espalhando, qual balada trágica, por esse mundo fora.
Perante tamanha dor, o povo de S. Pedro de Moel, passou a chamar àquele rochedo, o Penedo da Saudade.
E assim fez-se lenda ...

 

Marinha Grande
http://www.visitportugal.com
A história da Marinha Grande está ligada à existência dos 11.500 hectares do Pinhal de Leiria, também conhecido por Pinhal do Rei, floresta de pinheiro bravo plantada no séc. XIII por D. Afonso III e aumentada por seu filho D. Dinis.
Inicialmente destinado a suster as areias da costa que invadiam os terrenos de cultivo, o Pinhal viria a abastecer a madeira necessária à construção das naus e caravelas para os Descobrimentos Portugueses.
A presença do pinhal e das areias das praias atlânticas foram determinantes para o papel da região na tradição da indústria metalúrgica e do vidro em Portugal.
Assim o entendeu o Marquês de Pombal, ministro de D. José I, ao conceder em 1769 ao industrial inglês William Stephens alvará para fundar a Real Fábrica de Vidro de Guilherme Stephens.
O projecto foi continuado por um irmão de Guilherme, João Diogo Stephens, que após a sua morte o deixou em testamento à Nação Portuguesa.
Alimentada pela abundância das matérias-primas necessárias à sua fabricação, a lenha e a areia, a região tornou-se desde então o centro do fabrico de vidro e cristal português, que tem a marca da mestria de muitas gerações de operários-artistas na produção de peças únicas de reconhecida qualidade em todo o mundo.
No centro da principal praça da Marinha Grande, onde se destaca o edifício dos Paços do Concelho, encontrará o busto de Guilherme Stephens, da autoria de Luís Fernandes, homenagem de todos os trabalhadores da Fábrica que, em 1941, se quotizaram para o pagar. Um bonito portão em ferro dá acesso a um jardim onde se encontra o Museu do Vidro, instalado no Palácio Stephens.
Aqui poderá apreciar as admiráveis colecções de objectos artísticos criados ao longo de mais de 200 anos, bem como o núcleo fabril.
Complete a visita respirando o revigorante ar atlântico das Praias do Litoral.

 

 



 

Nazaré – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

A vila da Nazaré é de origem relativamente recente, pois ainda no século XVll o mar vinha bater nos contrafortes da Serra da Pederneira, deixando coberta toda a parte ocupada pela praia de hoje. Durante todo o século XVll foram porém rápidas as transformações, e o mar recuando, pôs a descoberto a formosa enseada. As primeira referências sobre a pesca da Nazaré não vão além de 1643. Em 1870 já tinha adquirido um desenvolvimento considerável, pois sabe-se que nessa data existiam na praia 58 cabanas para arrecadação dos aparelhos de pesca. Contudo, até aos princípios do século XlX os pescadores, fugindo às constantes opressões dos piratas argelinos e holandeses, viviam na Pederneira e no Sítio. Só em meados desse século é que a Nazaré começou a ser conhecida como praia de banhos. A praia da Nazaré aninha-se numa enseada em meia lua, limitada a norte pelo promontório do Sítio (da Nazaré) e a sul pelas areias que orlam a Serra da Pescaria (ou praia do sul).
Uma versão da Lenda da Nazaré: “ No tempo das perseguições que em Roma se faziam contra o cristianismo, diz o Portugal, a Península Hispânica, como estava muito distante daquela cidade, deu abrigo a muitos cristãos, que para ali fugiram no século lV. Segundo a lenda, foi por este tempo que o monge grego, Ciríaco, fugiu para Belém de Judá, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora, que deu a São Jerónimo, o qual mandou a Santo Agostinho, bispo de Hiponia, que estava em África, mandara-a depois este prelado para o mosteiro hispânico de Cauliniana, a 12 Km. De Mérida (Espanha); foi aqui que deram à imagem o título de Nazaré por ter vindo da terra natal da Virgem Maria. A maneira como a imagem veio às praias de Lusitânia, é narrada por esta versão da Lenda, da seguinte forma: “Egica, sobrinho do santo rei Wamba e genro de Ervígio, seu antecessor , subiu ao trono dos godos em 687. Vítulo, conde da Galiza, ambicionando o trono, revoltou-se, mas foi aniquilado. O rei então nomeou o seu filho Witiza soberano das terras revoltadas, ficando ele com o resto da Espanha e com a Galiza Narboneza.
Por sua morte sucedida em 701, ficou Witiza senhor de todo o império gótico, e foi o Nero das Espanhas. Permotiu a poligamia, negou a obediência espiritual ao Papa, arrasou as fortalezas do reino, e praticou toda a casta de c vícios e de iniquidades”. ( Américo Costa, do “Dicionário Coroagráfico de Portugal – 1943”.
A Nazaré já teve o nome de Perdeneira. O topónimo é, por assim dizer, internacional, pois aparece em vários países, e diz-se que, etimologicamente significa simplesmente, verde “. Dr. Xavier Fernandes – 1944).

A Nazaré é um festival de cor e de movimento, de vozes e de gritos. Há uma Nazaré real, de mar altivo e homens corajosos, de mulher com a verdade do negro que trajam pelos maridos, pelos irmãos, pelo filhos, pelos pais. E há também uma Nazaré irreal, cheia de gente, de sol e mar azul, de areia feita toldos de lona, enquanto ao lado se encontram barcos a balouçar, à espera da tarde, da partida para a faina da pesca. Quando o mar batia na encosta abaixo da Pederneira, a Nazaré não existia, mas apenas o Sítio, de origem muito mais remota. No século XVlll, o mar recuou e deixou a seco a terra firme onde se instalaram os primeiros pescadores, e das cabanas onde viviam começou, na 2ª metade do século XlX, a formasse a povoação. O Sítio da Nazaré é sobretudo um largo enorme, embelezado por um bonito coreto e terminando numa varanda de 110 metros de altura, sobre o mar. Da moldura do casario sobressaem os antigos Paços e a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, além de algumas notáveis residências do século XlX, com belas sacadas de ferro fundido e azulejaria de interesse.
Na Igreja Matriz, com o figurino seiscentista, lá estão os azulejos, bem portugueses, apesar de assinados por um autor holandês. Ao seu lado, o Paço Real, é notável pela sua alpendrada. Np Sítio, mesmo à beira do precipício fica a Ermida da Memória, a lembrar o tão célebre milagre de Nossa Senhora da Nazaré, salvando D. Fuas Roupinho (alcaide do Castelo de Porto Mós e talvez o primeiro almirante português), de cair de tão grande altura quando se salvou de se despenhar quando perseguia um veado. No fim do promontório, sobranceiro à praia do Norte (cujo areal quase chega a São Pedro de Moel “19 Km” ), o velho forte debruça-se sobre o mar. É no fim do promontório (ou penhasco) do Sítio da Nazaré que tem lugar o Forte de São Miguel Arcanjo. Este é um local cheio de estórias. Não é a única a de D. Fuas Roupinho que, segundo dizem, foi amparado pela Virgem quando, andando à caça, numa manhã de nevoeiro, o seu cavalo quase caiu do penhasco. Existe uma outra, de uma linda rapariga (moça) que, durante as Invasões Francesas, atraía os soldados inimigos para o precipício e depois, traiçoeiramente atirava-os para o mar, tendo morto sete desta forma. Este forte, também chamado Forte do Morro da Nazaré, foi mandado construir por D. Sebastião, em 1577, mas só ficou concluído no reinado de D. João lV, em 1644. O propósito da sua construção era defender a costa portuguesa de eventuais ataques de piratas e corsários que se sentiam atraídos pelo porto da Pederneira, local onde se situava o antigo povoado. Tinha fama de ser um dos melhores do Reino de Portugal, pois dali saía maior parte das madeiras do Pinhal de Leiria e do Pinhal de Rei, e que ali se fabricavam muitas embarcações que faziam o caminho para a Índia.
Um dos vários assaltos de que foi alvo aconteceu em 1611, quando um pirata holandês se infiltrou no porto e se apoderou de um barco carregado de pinho e de uma nau da Biscaia (Galiza) que transportava ferro, vinho e armas. Em 1807, já depois das suas peças de artilharia terem sido levadas para Cascais, o Forte da Nazaré foi conquistado por 50 soldados do general Junot que, no ano seguinte, foram expulsos pelas populações do Sítio, Pederneira e Nazaré, ao que, segundo a lenda, ajudou a rapariga que matou os sete. Foram tempos difíceis para os nazarenos, estes das Invasões Francesas. Primeiro foram os soldados de Junot que em 1807 invadiram a terra, ao que a população resistiu, exibindo seis estudantes fardados, do Batalhão Académico de Coimbra, tentando convencer o inimigo de que tinham recebidos reforços. Foram a Cascais num batel buscar armamento e repeliram os franceses que vinham de Peniche em auxílio da guarnição do Forte. Esta primeira batalha foi ganha pelos portugueses mas volvidos algum tempo os franceses voltaram a invadir o local, exercendo todo o tipo de crueldades sobre a população. Os habitantes que não conseguiram fugir, foram massacrados e os barcos e as casas da Nazaré, da Pederneira e do Sítio incendiados. Em 1901 ou mesmo 1902, foi desencadeado o processo de expropriação do Forte de São Miguel Arcanjo. Procedeu-se à reconstrução parcial do baluarte, que se encontrava danificado, para nele instalar o farol da Nazaré.
Quase todas as manhãs, a neblina dá os bons dias ao Forte São Miguel Arcanjo. O seu carácter defensivo já esmoreceu, mas, o farol continua vigilante, iluminando o caminho dos barcos que teimam em se aproximar demasiadamente da costa . Segue-se-lhe, já isolada, mas bem vizinha deste promontório, a chamada Pedra do Guilhim, designação a lembrar o limite da área, além de Atouguia, concedida por D. Afonso Henriques a Guilherme de Corni. A cerca de 5Km a sul da Nazaré e já na estrada que liga a Alcobaça, num destacado morro, ergue-se a Igreja de São Gião. É um templo visigótico, que deve datar do século Vll. É um pequeno edifício de uma só nave (6,60m x 3,9 m), sem janelas e sem transepto, com tribuna sobre a porta de entrada. O cruzeiro está separado da nave por uma parede com uma porta central e dois vãos laterais isolando o altar e o coro (só a nave era destinada aos fiéis), correspondendo a uma iconóstase. Peequena igreja monástica, decerto de transepto bipartido por duas colunas, acusa a influência da liturgia da época.
A Nazaré é das mais típicas vilas piscatórias de Portugal, convertida em centro de turismo por excelência do centro do País e destino privilegiado para milhares de visitantes durante o ano. No entanto, a Nazaré de hoje não é a de há décadas atrás, desaparecidos os traços que identificavam (de maneira incomparável) esta comunidade, possuidora de inconfundível personalidade, das mais características de toda a costa portuguesa, como o escritor português, Raul Brandão a descreveu em “Os Pescadores” : “... Do Valado à Nazaré são seis quilómetros, quase sempre através do monótono pinheiral de El-Rei. É um majestoso templo que não acaba e onde a solidão se torna palpável entre os troncos cerrados e sob as copas espessas. Por fim o caminho desce, passando a Pederneira, e avista-se lá em baixo a branca Nazaré e o mar apertado num vasto semicírculo de montes verdes, que mergulham no azul os alicerces. Ao norte o panorama acaba de repente num paredão temeroso, que entra direito pelas águas e entaipa o céu. É um morro avermelhado e riscado, com vegetação pegajosa de urzes e de cardos e um penedo destacado na ponta – o bico do Guilhim. Lá em cima as paredes brancas duma aldeia árabe entre sebes de cactos hostis – O Sítio. Pedaços de rochas salientes ameaçam desabar a toda a hora ...).
A riqueza da Nazaré residiu no folclore que sedimentou na imagem das suas objectivas e nas telas dos pintores. Quando os barcos (lanchas, botes, batéis, barcas e traineiras) ancoravam e saíam da praia e a arte das netas se praticava naquele cenário que traduzia gestos, vestuário e falares, puxando todos e ao mesmo tempo os aparelhos de arrasto para terra, então sim, era a alma inteira dessa comunidade que mostrava a sua maneira de ser e de viver quotidianamente em contacto com o mar. Depois da construção do porto de abrigo (já prometido no tempo do rei D. Carlos) e da redução drástica da arte das netas , desapareceram os quadros mais primitivos da vida da Nazaré, hoje gravados em telas e em fotografias. Em contrapartida zelou-se pela segurança dos pescadores e famílias, que morriam nas frágeis embarcações, quantas vezes à vista da praia de fortes rebentações (no Inverno) contra as falésias abruptas e, mesmo assim, impotentes para lhes quebrar a fúria. Hoje, no porto de abrigo e à mistura com algumas lanchas, botes, traineiras e motoras dos nazarenos, há embarcações doutro tipo, da Póvoa de Varzim, Matosinhos, Figueira da Foz e de outros portos pesqueiros. A praia piscatória perdeu as características próprias. Já não se vêem raparigas (filhas e mulheres de pescadores) trajando as sete saias, sentados no areal à espera do varar das embarcações e os olhos fixos na neblina do horizonte; nem o velho lobo-do-mar de barrete colorido e vestimenta riscada a consertar redes para a faina do dia seguinte. Ficou apenas e quase só uma tradição relacionada com a pesca e o mar: a seca do peixe, curiosamente a cargo das nazarenas algumas trajando de luto em memória do marido ou pelos filhos a quem o mar arrebatou. Ficaram os tabuleiros com fundo de rede e várias qualidades de peixe a secar ao sol da praia. Os consumidores do peixe são essencialmente os nazarenos, e algum vai para os mercados do distrito.
O concelho da Nazaré está completamente encravado no de Alcobaça, à excepção do lado poente delimitado pela costa atlântica e a vila apresenta três núcleos populacionais distintos: o núcleo da praia (o seja da vila propriamente dito), o Sítio (da Nazaré) e a Pederneira. O promontório da Nazaré classifica-se de costa alta e abrupta, fazendo parte dos planaltos calcários da Estremadura. Em frente à Nazaré situa-se um vale submarino, dos maiores e mais profundos do mundo. A enseada protege-a, a norte, a escarpa ou falésia do Sítio e, a leste, as elevações da Pederneira. A Nazaré fica a cerca de 21 Km a sul da Marinha Grande. Suas principais indústrias são as conservas de peixe, estâncias de madeiras e hotelaria. E o turismo será a principal de todas, uma vez que não é sazonal, mas processa-se ao longo do ano, graças às paisagens naturais, ao clima e à situação geográfica no centro litoral de Portugal. O clima é temperado (Atlântico) e fraca a amplitude térmica, com verões quentes e secos. António Lopes (1732) chamou à Nazaré a “Estrela do Oceano Português” e, sobre ela está tudo dito. Os nossos melhores prosadores e poetas deixaram-nos descrições de estilo empolgante, acerca desta gente e desta terra, como por exemplo, António Sérgio em (Introdução Geográfico-Sociológica à História de Portugal) : “... Mas não se pense que as qualidades étnicas de uma comunidade “sui géneris”, tão bem representada no povo nazareno, vem de há longos séculos. A actual Nazaré não possui história longa de centúrias, uma vez que há pouco mais de duzentos anos nem sequer existia. No século XVl o local (desabitado) sofreu grandes assoreamentos e a baía era mais reentrável. O mar chegava à Pederneira, Maiorga, Cós e Alfeizerão, de que a reentrância (concha) de São Martinho é reminiscência que aí permaneceu. No século seguinte, a enseada da Nazaré estava coberta pelo mar que batia nas arribas da serra da Pederneira e na falésia abrupta que ainda resguarda o lugar do Sítio. Só no século XVlll o oceano recuou e deixou terra firme onde os pescadores fizeram as primeiras habitações (cabanas) no lugar onde está hoje a vila, só conhecida com estância de banhos nos meados do século passado. As primeiras referências à pesca no mar da Nazaré remontam a 1643, com maior desenvolvimento na Segunda metade do século XlX. Em 1870, a Nazaré tinha 58 cabanas onde os pescadores guardavam os aparelhos de pesca e as condições de vida seriam miseráveis ou muito precárias. O núcleo populacional ou colónia de pescadores resultou, mais tarde, da miscigenação entre os primitivos povoadores indígenas e pescadores de Ílhavo (região de Aveiro) que desceram a costa a partir do último quartel do século XVlll e se fixaram (com suas famílias) na Nazaré, deixando marcas nas artes de pesca, nos tipos e pinturas das embarcações, e até no linguajar. O núcleo mais antigo situava-se no lugar da Pederneira (a leste) mais seguro da pirataria da pirataria (holandesa e argelina) que infestava a costa. A Pederneira era povoada em 1190 e no século Xlll os pescadores já partiam dali para as costas do Algarve. Com o assoreamento do porto de Paredes (a norte) deslocaram-se para o da Pederneira que pertenceu ao Mosteiro de Alcobaça (coutos) e teve considerável importância desde o século Xll até ao século XVll. A “Descriçam de 1630” chamoulhe “de muito boa população” e que “no baixo da praia fabricam alguns navios com a comodidade da madeira que trazem pelo mar de um grande pinhal que fica pela parte do setentrião e a que chamam Pinhal do Rei”. No século XV a Pederneira já era a vila mais progressiva dos coutos de Alcobaça, começando a decadência a partir do século XVlll, originando em 1885 a transferência da sede do concelho de Pederneira para a Nazaré. Aliás, na Pederneira, há noticia /através da arqueologia) de Ter tido povoamento pré-histórico: instrumentos do Paleolítico, encontrados em Pedreneira e Valado de Frades, fíbulas /século Vl antes de Cristo) e outros objectos depositados no Museu da Nazaré Etnográfico e Arqueológico da Nazaré, são testemunhos inequívoco dessa ocupação”.
O Sítio da Nazaré, de origem muito remota, além dum enorme largo, é uma espécie de varanda apoiada na falésia com alicerces no mar. Nesta varada fica a Capela da Memória onde reza a tradição é o local a que se refere a “Lenda do Sítio: “A 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho andava à caça com alguns companheiros por aquelas bandas. Entretanto, devido a grande nevoeiro perdeu-se deles e continuou a caçar. Surgiu-lhe um veado que a crendice popular identificou com o diabo e D. Fuas, no seu cavalo, parte em perseguição da tentadora peça de caça, aproximando-se da íngreme penedia, cortada a pique sobre o mar. O veado caiu ao precipício e o cavalo de D. Fuas ficou suspenso, perante a invocação do nome da Senhora naquele momento a quem D. Fuas intercedeu. Ainda se vê um sulco na rocha (no Suberco) do Bico do Milagre e no local da capela que o povo atribui à marca da ferradura do cavalo. D. Fuas Roupinho doou os terrenos, contratou pedreiros e mandou edificar uma ermida à Senhora da Nazaré em sinal de agradecimento por tão grande milagre. A ermida fico conhecida por “Capela da Memória” onde durante séculos se tem venerado a Senhora da Nazaré, cuja imagem (dos primeiros séculos do cristianismo) é considerada a mais antiga de Portugal”.

 

 

A gastronomia e artesanato fazem parte da cultura popular da Nazaré e são motivos de atracção turística. O peixe a caldeirada à Nazaré, massa de peixe seco constituem os principais pratos desta terra que sempre viveu dos recursos do mar. Representantes da doçaria local são os Tá-mares, nazarenos, sardinhas azevias, filhós e arroz-doce. No domínio do artesanato surgem também motivos do mar – o mar que sempre comandou a vida, os hábitos e a paisagem desta terra inconfundível: miniaturas de barcos a remos, vestes para bonecas regionais e malhas típicas. O comércio manifesta-se em vários locais e artérias de modo peculiar, uma vez que passar pela Nazaré, obriga o visitante ou o turista a levar consigo uma recordação que testemunhe a visita, sempre incompleta, tantos são os motivos de atracção deste pequeno paraíso, onde o turismo é rei e senhor. Os círios da Senhora da Nazaré são muito conhecidos, pois, desde tempos remotos, às romarias anuais
a igrejas e capelas, afluíam romeiros em grupo (ou irmandades) de várias freguesias que levavam, cada um, um círio (ou tocha) para depor no altar do santo da sua devoção. A esses grupos de romeiros chamavam-se Círios . Apareceram, assim, desde há séculos, círios importantes (sobretudo no centro do país), onde a tradição ficou enraizada. Um deles é o Círio  de homenagem à Senhora da Nazaré, cuja romaria vem desde de D. Leonor de Lencastre (mulher de D. João ll), acorrendo círios de Mafra, Santo Isidoro, Terruagem, Sobral, Caldas da Rainha, Porto de Mós e outras localidades. Pormenor curioso, relativamente à imagem da Senhora da Nazaré, prende-se com a tentativa (conseguida) de colocar a imagem a salvo dos invasores franceses, em 1810, tendo sido levada de terra em terra até Pendão (Belas – Sintra), percorrendo depois Queluz, Benfica, Vila Franca de Xira e Caldas da Rainha, regressando à sua igreja em Setembro de 1812, depois de ter passado o perigo.
As loas que os anjos cantavam ao acompanharem os círios da Senhora da Nazaré (e outros), durante o percurso e à porta dos templos, foram divulgadas por vários poetas, incluindo João de Deus, impressas em folhinhas e vendidas a favor do culto. A festa da Senhora da Nazaré (de 8 a 15 de Setembro) ainda conserva reminiscências desses Círios, de locais, em homenagem à Senhora da Nazaré.

 

 

 

 

 

 

 

Óbidos – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

Origem do nome:
“Alguém, seduzido pelo maravilhoso, pretendeu que o nome ÓBIDOS foi tirado de “Abidis”, seu suposto fundador, mas figura meramente lendária, que, como filho de Ulisses e da princesa Calipso, entra também na popular lenda da fundação de Lisboa e de outras terras.
Mais aceitável, mas ainda assim pouco satisfatória e duvidosa, é a hipótese, segundo a qual o topónimo ÓBIDOS teria resultado da junção de três monossílabos latinos, “ob” “id” “os”, conforme alguém se lembrou de dizer e tão repetido sem sido. Ora, o locução latina “od id” era realmente muito empregada com os significados de “por causa disto, por isto (ou mesmo) em frente disto, diante disto - que significa boca, abertura ou entrada.
Daqui a suposição de que noutros tempos, se designava por “ob-id-os” uma grande boca do oceano ou entrada do mar, que nesses tempos vinha ter junto à vila segundo se diz, e que modernamente se conserva dela afastada cerca de uma légua, com o nome de Lagoa de Óbidos.
Assim,a designação comum teria passado a topónimo da povoação, o que só com reservas aceitamos. (Dr. Xavier Fernandes - 1944).”.
Óbidos é uma vila edificada sobre os alicerces de um “oppidum” luso romano, , foi tomada aos mouros em 1148 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Recebeu o primeiro foral de D. Isabel de Aragão, mulher de D. Dinis, e chamada Rainha Santa Isabel.
Preserva uma pitoresca fisionomia de conjunto atravessou, sem grandes obliterações, diversas conjunturas históricas.
Constituída por unidade geológica dominante, esta região do distrito de Leiria, a que a suavidade do relevo empresta uma amenidade calmante, apresenta-se na sua maior parte com uma aparência bastante homogénea. Mas tanto para nascente como para poente surgem elevações.
À suavidade da paisagem junta-se a lembrança do espírito magnânimo da rainha D. Leonor de Lencastre, mulher de D. João ll, fundadora das Misericórdias, frequentadora das águas medicinais das Caldas da Rainha, que por tal se chama de “Rainha” em reconhecimento pela sua presença e por quanto a rainha lhes ofereceu em seu favor.
Amenidade da Natureza a influenciar os habitantes da região e aqueles que a visitam. E o próprio mar parece também ter sido influenciado quando, ao entrar pela lagoa de Óbidos, se espraia pela terra adentro, docemente quebrado nos seus ímpetos.
Só Óbidos, na elevação onde se alcandorou, oferece um contraste, já pelo seu destacado isolamento, já pela feição guerreira das suas muralhas, em defesa já não das gentes, mas das recordações do passado que tão ciosamente guarda para desvendar à vista curiosa e surpreendida do seu visitante.
A Lagoa de Óbidos
A caminho de um assoreamento progressivo e já ameaçada pelo poluição, a Lagoa de Óbidos é um dos profundos recantos da costa que, tal como outros mais a norte, facilitam a entrada do mar pela terra dentro.
Terá sido tão extensa a ponto de as suas águas banharem o sopé da pequena colina onde se encontra a vila de Óbidos. Para além de uma área central, a lagoa estende-se por braços, o da Barrosa e o do Bom Sucesso, aproveitando os vales de alguns ribeiros que nela desaguam.
Diz-se que a lagoa dá carne, pão e vinho, devido à pesca que oferece, embora hoje menos abundante, e pelos limos que são recolhidos para amanho (adubo natural) das terras.
Passando pela extremidade do braço do Bom Sucesso chega-se ao sítio da Cabana, onde se banquetearam muitos reis de Portugal.
As pequenas bateiras, hoje com motor, permitem um passeio em águas calmas, actualmente percorridas por muitas embarcações de recreio.

Pequena História:
Perdem-se nas brumas do passado as origens de Óbidos, supostamente habitada desde remotas eras, como o atesta a estação arqueológica do vizinho Outeiro da Assenta, onde foram encontrados numerosos objectos do período calcolítico, o que permite pensar poder a sua existência situar-se em épocas bem recuadas.
Remotos escritores, entre os quais o autor da “Corografia Portuguesa” atribuem a fundação do futuro “castro” aos turdulos e celtas por volta do ano 308 antes de Cristo, que o fortificaram e rodearam de sólidas muralhas.
O seu nome parece derivar das palavras latinas “-ob-id-os” devido à boca ou braço de mar que outrora chegava té às muralhas de Óbidos. Há, porém, quem considere pueril esta etimologia assim como outras, porventura mais fantasiosas, inclinando-se a maioria pela sua edificação sobre os alicerces de um “oppidum” luso-romano.
Vislumbra-se a influência dos romano, assinalada em vários troços das muralhas e numa ou outra decrépita ruína. São obscuros os inícios da passagem de outros povos primitivos pela região. Apenas conjecturas associadas à invasão da Península Ibérica pelos bárbaros, em numerosas hordas, de que Óbidos seria forçada trilha.
O burgo teria assim sofrido sucessivamente o domínio dos Alanos, Suevos, Godos e Árabes.  É mais acentuada a presença dos mouros que o Castelo, parte das muralhas, bairro da mouraria e lendas de “doces moirinhas” evocam. A hegemonia árabe termina com a conquista, em 10 de Janeiro de 1148, por Gonçalo Mendes da Maia – o Lidador (que morreu em plena batalha contra os mouros, contando 90 anos), esforçado fronteiro-mor de D. Afonso Henriques, após longo assédio.
Enquanto D. Afonso Henriques atacava com as suas hostes o lado sul, onde era mais encarniçada a resistência da moirama, o Lidador acompanhado por um punhado de guerreiros, a coberto de seculares ginjeiras e agaves, penetra, após espinhosa escalada, na soberba fortaleza do castelo, conquistando para Portugal a localidade que Camões assinala.
Acarinhada pelos reis da dinastia afonsina (primeira dinastia), que não raro dela fizeram morada, é reedificada e ampliada por D. Afonso Henriques, fortalecida e povoada por D. Sancho l, que em 1186 fixou residência durante algum tempo. Óbidos foi em 7 de Dezembro de 1210, doada por D. Afonso ll a sua mulher D. Urraca.
As conhecidas desavenças de D. Sancho ll com o clero e a nobreza, que em 1224 o trouxeram a fixar temporariamente residência em Óbidos, atraíram numerosos fiéis, que junto de D. Márcia, rodeada de damas e donzelas formaram improvisada corte.
É no reinado deste infeliz monarca que D. Afonso ainda Conde de Bolonha, mais tarde D. Afonso lll, impôs apertado assédio a Óbidos, que durante oito longos e heróicos anos tenazmente resistiu ao cerco, escrevendo sublime página da sua história.
Era então Alcaide-Mor de Óbidos, D. Fernando Ourigues de Aboim, fidalgo cavaleiro, que acompanhado por outros dois fidalgos, Vasco Moniz e Gonçalo de Sequeira e outros nobres, defendeu os direitos de D. Sancho recusando obediência ao Bolonhês, até se certificar da legalidade dos seus direitos. A resistência heróica dos moradores, auxiliados por Frei D. Pedro Gonçalves, Abade de Alcobaça, não permitiu a conquista de Óbidos, tendo D. Afonso lll depois de coroado rei, galardoado essa fidelidade concedendo-lhe além de privilégios e mercês, o título de “sempre leal” que alia ao de “mui nobre” como já se ornava.
D. Dinis, que ampliou Óbidos e reedificou o Castelo, concedeu-lhe por carta régia o senhorio da Vila, como prenda de casamento – juntamente com outras vilas e castelos, a sua mulher, D. Isabel de Aragão, também conhecida por Rainha Santa Isabel, ficando desde então pertença da “Casa das rainhas”, até 1834, em que foi extinta.
Nos últimos anos do reinado de D. Afonso lV esteve recolhida neste castelo, a infeliz D. Inês de Castro, tendo D. Pedro doado mais tarde à Câmara extensos terrenos pantanosos que separavam a Vila da Lagoa e chamada a Veiga de Óbidos.
D. Fernando l reformou o castelo, reparou as muralhas e mandou construir a Torre de Menagem, tendo doado também Óbidos a sua mulher, D. Leonor Teles.
Continuando a pertencer à “Casa das rainhas” foi domínio de D. Filipa de Lencastre e aprazível passadio de D. João l que aqui mudou, em 12 de Agosto de 1427, o calendário da era de César para a de Cristo.
Existem reminiscência de ter sido em Óbidos que D. Duarte escreveu o seu livro “A arte de bem cavalgar toda a sela”.
Foi na Igreja de Santa Maria que D. Afonso V contraiu matrimónio com sua prima D. Isabel.
É, porém, da época de D. João ll que Óbidos conserva as suas mais piedosas recordações. Foi nesta vila de D. Leonor de Lencastre, veio pratear em 1491 a morte desastrosa de seu filho D. Afonso, aqui fundando a segunda Misericórdia de Portugal, em 1498, na Capela do Espírito Santo, na Capela do Espírito Santo, que dotou de fartas rendas e mercês. Deve-se ao seu amor pelos pobres a fundação do Hospital de Caldas da Rainha, no termo da Vila de Óbidos, que dotou com grande liberalidade.
Data do tempo de D. Manuel l a última reforma do castelo, concedendo a Óbidos novo foral em 20 de Agosto de 1513, substituindo o dado por D. Isabel, a Rainha Santa, em 1326.
Embora sejam mais patentes as recordações de D. Catarina de Áustria, mulher de D. João lll, que mandou construir o aqueduto que abastecia a água a Óbidos. Ficou a dever-se a este rei a “Casa do Estudante” onde foi instituída uma cátedra de matemática substituída mais tarde por uma de teologia.
O infortunado reinado de D. Sebastião também ficou assinalado em Óbidos pela desastrosa expedição a Alcácer-Quibir em que pereceram o sobrinho do Alcaide-Mor, D. Afonso de Noronha, numerosos fidalgos do concelho e seus termos, assim como 500 homens de pé e a cavalo.
Filipe lll elevou Óbidos a cabeça de condado, em 1634, em favor de D. Vasco de Mascarenhas, Alcaide-Mor.
Após a Restauração, D. João lV residiu com sua mulher D. Luíza de Gusmão, durante algum tempo em Óbidos, tendo mandado construir a “Casa da Câmara” onde não há muitos anos era a cadeia e onde hoje se encontra instalado o Museu Municipal.
Ao rei D. João V, o Magnânimo, se devem generosos donativos que permitiram a construção do Santuário do senhor da Pedra.
O terramoto de 1775 fez ruir grande parte dos edifícios e igrejas. O Conde de Óbidos mandou reparar os Paços da Cerca, as Igrejas de São Tiago e São Pedro, a Torre Albarrã e grande parte das muralhas do lado poente.
D. Maria l e seu marido, D. Pedro ll residiram durante algum tempo em Óbidos, em casa do Capitão-Mor, Brito Pegado, afastados das caldas da Rainha devido a uma epidemia que ali grassava. O solar da Praça da Rainha, hoje património da Câmara Municipal, assinala a efeméride em duas placas brasonadas, por cima da porta principal.
Foi junto de Óbidos que se deram as primeiras escaramuças entre as hostes invasoras de Junot e as avançadas do exército anglo-luso, que preludiaram a grande vitória da Batalha da Roliça.
Conserva-se na memória dos habitantes mais idosos as visitas frequentes dos últimos reis de Portugal, que são lembrados com saudade.
Muitos factos vividos poderiam ser relatados e certamente muitos mais se algum dia forem despertados dos códices medievais em que jazem adormecidos.
MONUMENTOS
CASTELO: Coroando a crista de abrupto penhasco que altaneiramente domina dilatadas cercanias, emerge, majestoso e só, robusto castelo roqueiro, baluarte vigilante de aguerridas hostes.
Na época da Conquista, o castelo não existiria como se encontra. De origem romana, segundo se recorda, passou a fortificação moura.
Sucessivamente reparado e ampliado pelos reis da primeira Dinastia, o castelo é um dos exemplares mais perfeitos das fortalezas medievais, prolongando as suas defesas por extensa muralha que, ciosa, protege e resguarda Óbidos.
O castelo é um recinto amuralhado, com as suas ameias e barbacans, guarnecido de defensivas torres e torreões que ladeiam vasto recinto ou pátio interior, outrora apalaçado.
À entrada, no flanco direito da fachada sul a Torre de Menagem (ou de D. Fernando), com 24,80 metros de altura, cisterna de cantaria aparelhada, desentulhada em 1931.
Alcandorada sobre rochedos que se empinam sobre escarpada encosta, no flanco direito da fachada sul, a Torre de D. Dinis, com 30 metros de altura, de secção rectangular.
Entre estas duas torres existem dois torreões que denunciam restauros do tempo de D. Dinis. As restantes torres e torreões foram, por vezes, mais ou menos restaurados. Da primitiva deve ser apenas a torre do flanco esquerdo da fachada norte com 15,5 metros de altura.
No centro desta fachada existem dois torreões semicirculares que medem até à barbacan os mesmos 15,5 metros.
Enchendo a face norte e parte da poente situa-se a barbacan com as suas bancadas, banquetas, parapeitos, ameias, seteiras e olhais.
O interior do castelo foi apalaçado por D. João de Noronha-o-Velho, Conde de Gijon e Noronha, Alcaide-Mor no tempo de D. Afonso V.
O último restauro do castelo e do seu recinto defensivo foram beneficiados por D. Manuel l, no início do século XVl. Ao nível do andar nobre, dominando o Paço, rasgam-se janelas e varandas manuelinas, ricamente lavradas, a que extensa escadaria exterior teria dado acesso.
A lareira que se encontra no salão da mesma época, é cingida por colunas de troncos entrançados com capitéis de cogulhos.
A norte da parte exterior, à altura deste pavimento, duas janelas de verga trilobada, preciosamente lavradas e um portal, ornado de troncos recortados a que uma escada exterior dá acesso.
Ainda neste pavimento, a “Porta da Traição”, na base da Torre de D. Dinis, em que a moldura do arco ogival da porta empresta nobre e severo ordenamento, e por onde teria penetrado o Lidador, era formado por vasto varandim, sustentado por moldilhões e cornijas, de onde se avista extenso e deslumbrante panorama.

Muralhas:  A muralha torreada que cinge Óbidos e que estreitamente a abraça, foi restaurada por vários reis, nomeadamente D. Afonso Henriques, D. Sancho l e D. Fernado l. Completa as defesas do burgo, reforçadas ao norte pelo castelo e ao sul pela Torre Vedras ou do Facho, sem dúvida a mais antiga.
Esta cinta amealhada tem um perímetro de 1565 metros que se podem facilmente percorrer, graças ao seu largo adarve de 1,40 metros de largura. As ameias têm uma altura de 1,30 metros por 0,67 m. de espessura e são intervaladas de 0,60 metros.
As seteiras têm uma abertura interior de 0,43 m. e exterior 0,05, sendo as existentes na cidadela ainda mais pronunciadas.
Ao longo do vasto percurso das muralhas, torreões nelas integradas como sentinelas vigilantes, dominam os espaços.
A cidadela individualizada do castelo encontrava-se ligada à Torre Albarrã por um viaduto. Esta zona é merecedora de aprofundado estudo e aproveitamento.
Próximo da cidadela ainda são nítidos os vestígios do Paço das Rainhas, mandado construir pela rainha D. Leonor de Lencastre na área do castelo que lhe fica fronteiro e debruçado sobre profundo vale.
Neste recinto existia anteriormente o convento da Ordem de São Domingos, cujas freiras eram conhecidas pelas “Emparedadas”, assim como uma capela anexa sob a invocação do Senhor dos Milagres, devidos à piedade da Rainha Santa Isabel, que no seu testamento as dotou com grande liberalidade.
TORRE DA ALBARRÃ: Assim se denominava a Torre construída por D. Sancho l e sobre a qual em 1842 foi enxertada a cúpula onde foi instalado o maquinismo do relógio de Óbidos e que tão profundamente modificou a sua fisionomia.
Além de servir para nela se guardarem os bens da Coroa que excediam os gastos anuais (e por isso se chamava Albarrã) serviu também de prisão do castelo.
Foi nesta torre que esteve preso durante 15 meses, após a Batalha de Aljubarrota, o cronista castelhano Pedro Lopes de Ayalla, político, diplomata e grande erudito e onde teria escrito algumas das suas melhores poesias.
Afastada da cidadela era ligada a esta por um viaduto que ainda se encontra em perfeito estado de conservação.
Nos finais dos anos 40 o mecanismo do relógio foi transferido para uma das torres da vizinha igreja de São Tiago e reconstituído o adarve e coroamento da Torre Albarrã.
Pelourinho: Sobrepujando o seiscentista chafariz da Praça, encostado ao paredão que a limita, ergue-se o Pelourinho, interessante e velho monumento em que antigamente se expunham e castigavam os criminosos e delinquentes.
Formado por elevada coluna de granito, é coroado por um facho encimado por modesta cruz de ferro. Quase no topo da coluna vê-se de um lado um camaroeiro e do outro o escudo real com as suas quinas e castelos.
O camaroeiro foi doado pela Rainha D. Leonor de Lencastre a algumas vilas de que era donatária, em recordação do desastre mortal sofrido por seu filho o príncipe D. Afonso, próximo de Santarém.
AQUEDUTO E CHAFARIZES: A construção do aqueduto que abastecia Óbidos de água, vinda da vizinha freguesia da Usseira, numa extensão de 3 kilómetros, foi custeada pela Rainha D. Catarina de Áustria, mulher de D. João lll, em troca da Várzea do Macharro cedida pela Câmara, e que desde então em 1573 passou a chamar-se a Várzea da Rainha. É uma obra importante feita sobre grande número de arcos de apreciável altura e robustez, atravessando extensos vinhedos e pomares. A água transportada por este aqueduto alimentava os chafarizes de Óbidos.
No lugar da praça situa-se um desses chafarizes, sem dúvida o mais importante, também mandado construir por D. Catarina, em frente da Igreja de Santa Maria e por baixo do paredão junto ao Pelourinho. O conjunto forma um belo efeito decorativo.
Outros chafarizes, como o da Cadeia, do Arrebalde da Bica do Convento eram também alimentados pela água transportada através do aqueduto. O chafariz da Porta da Vila que veio substituir a “Mãe de Água” é uma construção recente de pouco interesse.
Extramuros, num terreiro junto ao Senhor da Pedra, contíguo à Casa os antigos Romeiros, existe um outro chafariz o tempo de D. João V.
CONCELHO DE ÓBIDOS:  Tem uma área de 141,17 Km2, e é envolvido a Norte pelo concelho de Caldas da rainha e pelo Oceano Atlântico; a Sul por Bombarral e Lourinhã; a Oeste por Peniche; a Este por Caldas da Rainha.
ALGUMAS POESIAS: de Maria de Carvalho
(livro “Sonetos”)
CASTELO DE ÓBIDOS
“Recortado no céu nitidamente / o enegrecido vulto agigantado. / Alto, sobranceiro, derrocado / Doirando-se na luz do sol poente.
Esse velho castelo desdentado / Erguendo as torres majestosamente. / Era o nobre fantasma do passado / Fitando os olhos graves no Presente.
E o seu aspecto calmo, desdenhoso / Tina como que o rasto luminoso / Duma longínqua e forte mocidade ...
Lembrava-me o sorriso, as ironias / Dos velhos que, ao falar dos nossos dias, / Recordam o seu tempo com saudade.”.
NO CASTELO
“Sorria a noite límpida e estrelada / Sobre esse velho e histórico terraço / Onde a heras se prendem n’um abraço / às muralhas de pedra arruinada.
A escuridão no campo semeada / De luzes cintilando espaço a espaço / Era como outro céu – mas negro e baço / - Longa treva, de mágoas habitada.
Senti cair então no pensamento / Uma enorme tristeza silenciosa ... / E meditei que todo o sentimento
Vacila, n’uma dúvida forçosa, / Entre o suave azul do firmamento / E o negrume da terra dolorosa.”.

 

Óbidos
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A História de Óbidos, à semelhança de outros locais, carece de informação fidedigna quanto às suas origens. Apesar de algumas referências em documentos de cronologias muito posteriores, apenas as descobertas arqueológicas demonstram factualmente várias fases de ocupação no concelho, como a do Outeiro da Assenta, que remonta ao Calcolítico. A origem do povoado de Óbidos no ano de 308 AC, enquanto fundação de Celtas e Túrdulos, não tem dados arqueológicos a sustentá-la, apesar de profundamente enraizada na historiografia tradicional.O período romano encontra-se melhor caracterizado, principalmente devido às escavações arqueológicas do que se suspeita ser a cidade romana de Eburobrittium, descrita por Plínio como estando localizada entre Collipo (Leiria) e Olissipo (Lisboa). Desde 1994 foram identificadas várias estruturas que retratam o programa construtivo típico de uma cidade romana, tais como o Fórum, as termas públicas, para além de edifícios de natureza diversa. A localização mais interior deste núcleo populacional, não implica um ermamento do local onde hoje se encontra Óbidos, face à proximidade dos dois locais e, principalmente, devido à importância estratégica da orografia do local. Este será um dos argumentos decisivos para todos aqueles que defendem uma ocupação continuada do maciço rochoso da actual vila. Mesmo que não tenha o sido como povoado, a existência de atalaias de vigilância, ou de sistemas defensivos mais elaborados, não pode, de forma alguma, ser descurado, principalmente se atendermos ao facto de que, até ao final do período medieval, a lagoa se encontrar bem perto da actual vila. As datações propostas para Eburobrittium encontram-se balizadas entre o último decénio do século I a.C. (período de Augusto) até ao século V d.C.A entrada na Idade Média poderá ter espoletado maiores preocupações defensivas levando à procura da protecção que Óbidos oferecia. A presença visigótica, apesar do silêncio coevo, certamente aconteceu e sobre ela se estabeleceram os muçulmanos, entrados na Península em 711. A caracterização da presença muçulmana é difícil de elaborar de forma factual, resumindo-se a abordagens, mais ou menos comparativas, onde alguns autores identificam uma matriz muçulmana no planeamento urbano da vila, no seu traçado sinuoso, no encerramento do espaço privado e na sua conquista do espaço público. Mais sólida é a existência de uma comunidade moçárabe, no Mocharro, junto ao templo hoje denominado de Nossa Senhora do Carmo, que inclusivamente teria o seu rossio onde as relações comerciais seriam efectuadas. Faz assim sentido, a afirmação de Pedro Gomes Barbosa ao referir que as comunidades moçárabes se teriam concentrado “nos termos de Torres Vedras e possivelmente de Óbidos”[2], os núcleos populacionais mais fortes da Estremadura Central. A sua colocação no exterior da muralha permitia-lhes estar mais perto da lagoa e libertar o perímetro muralhado (à época muito inferior ao actual resumindo-se à alcáçova). Aí se manteve um núcleo populacional até ao séc. XVI altura em que se terá deslocado para o interior da muralha ou para o arrabalde oposto. Aventam-se várias hipóteses para esta deslocalização, como a série de sismos que assolaram Portugal no séc. XVI (principalmente o de 1531 que causou grandes danos em Óbidos), o abandono da judiaria que passou a Rua Nova no interior da vila e o recuo da lagoa[3]
A reconquista de Óbidos por D. Afonso Henriques, em 10 de Janeiro de 1148, está envolta em múltiplas lendas, sendo por isso difícil definir factualmente locais de quebra da resistência ou outras características da campanha que a envolveu. Seguindo a tradição terá sido Gonçalo Mendes da Maia O Lidador quem terá quebrado a resistência muçulmana. A operação, de grande simplicidade, desenvolveu-se em dois focos simultâneos, um primeiro com as manobras dilatórias de D. Afonso Henriques e um outro na Porta da Traição, por onde terá entrado Gonçalo Mendes da Maia. Depois da reconquista de Óbidos estava concluído um conjunto de conquistas que expulsaram o poder islâmico da Estremadura, depois da conquista de Santarém, Lisboa, Torres Vedras e Óbidos[4].  
Nos anos subsquentes à reconquista cristã, Óbidos era um termo de grandes dimensões, com bons solos agrícolas e uma lagoa rica para a pesca, mas de fraca densidade populacional, algo que nos é revelado pela carta de doação dos coutos de Alcobaça, em 1153. Neste aspecto não seria diferente de largas àreas abaixo do Mondego, para as quais D. Afonso Henriques procurou encontrar solução gerando movimentos de pessoas para a sua ocupação para além das conhecidas instalações de comunidades monásticas. Óbidos foi um caso interessante também neste domínio, pois apesar de numa primeira fase ter contado com a protecção de Santa Cruz de Coimbra, nem por isso deixou de assistir à diminuição do seu termo a norte com os Coutos do Mosteiro de Alcobaça e com a atribuição de terrenos a francos na Atouguia da Baleia[5]. No entanto a importância estratégica da Vila, em termos militares e, principalmente em termos administrativos, onde a presença das instituições municipais e reais se encontravam e, por vezes, se confrontavam. Nos séculos XIV e XV a administração municipal estava entregue aos juízes e alvazis, podendo ainda ser reunida a assembleia municipal em casos de extrema gravidade[6]. Como Óbidos, na Primeira Dinastia, granjeou e usufruiu do estatuto de Vila das Rainhas, para além dos funcionários do Rei, havia também funcionários que se encontravam ao serviço dessas mesmas rainhas.Entramos num dos domínios mais marcados da história de Óbidos, a sua relação com sucessivas Rainhas de Portugal. O uso recorrente da designação “Casa das Rainhas” como referente a uma organização institucional não dilui as dificuldades de provar a sua existência nesses moldes no período medieval. No entanto a relação da vila com as rainhas está documentada desde que D. Afonso II, por escritura de 7 de Dezembro de 1210, doou à rainha D. Urraca. Outras rainhas se sucederam e as obras decorrentes do estatuto sucederam-se. D. Isabel recebe a doação da vila depois do casamento com D. Dinis, sendo-lhe atribuída a construção da capela de São Vicente, actual igreja de São João Baptista, da gafaria e a fundação da confraria do Espírito Santo, cerca de 1309 de acordo com a tradição.Em 15 de Agosto de 1441 a igreja de Santa Maria foi o local escolhido para a celebração dos esponsais de D. Afonso V com D. Isabel. Mais paradoxal é a ligação da rainha D. Leonor com a vila. Se, provavelmente, é a esta senhora que se deve o considerável enriquecimento do seu património artístico com a campanha de obras da igreja de Santa Maria, na transição do sec. XVI para XVII, ou a fundação da Misericórdia de Óbidos, também terá sido aqui que a rainha se terá refugiado para o luto da morte do seu filho D. Afonso. Para além disso, a esta rainha se deve a construção do Hospital Termal das Caldas da Rainha e, consequentemente, da vila que o rodeou, criando, no final do séc. XVI, um novo local que irá rivalizar com Óbidos relativamente às estadias da família real na região[7].
[1] SILVA, Manuela Santos. A Região de Óbidos na Época Medieval. Espaço defendido e estruturas de defesa em Óbidos.
[2] BARBOSA, Pedro Gomes. Povoamento e Estrutura Agrícola na Estremadura Central, p. 62
[3] Uma área que não tem sido trabalhada em nenhum estudo por nós encontrada, foi o impacto que a instalação do Hospital Termal das Caldas da Rainha poderá ter tido neste núcleo populacional. Sabemos que terá recebido direitos e foros de várias colegiadas, entre as quais a do Mocharro.
[4] O facto de D. Afonso Henriques, depois da conquista de Leiria, colocar como prioridade a conquista de Santarém para o assalto a Lisboa, fazendo depois uma nova incursão a Norte para conquistar Torres Vedras e Óbidos, deverá refrear os ímpetos vangloriadores das historiografias locais no que concerne à batalha que aqui se terá travado. Perante o arco cristão Leiria, Santarém, Lisboa, torna-se difícil de justificar uma feroz resistência muçulmana em Óbidos. Trata-se de um campo a carecer de investigação científica que permita avaliar a autenticidade do apoio que o alcaide muçulmano de Óbidos terá tentado prestar a Lisboa aquando da ameaça do cerco cristão. Mais lógico teria sido a conquista de Óbidos como forma de avançar para Santarém. Também a relação entre estes dois povoados e fortalezas nos parece cada vez mais importante de investigar. Ainda antes do período medieval, durante a presença romana, que Santarém foi uma urbe de extraordinária importância comercial e estratégica. Óbidos poderia funcionar como a sua guarda avançada, em termos defensivos, e como garantia de escoamento comercial pelos seus privilegiados acessos marítimos.
[5] Este é, aliás, um movimento que se acentuou em séculos posteriores com os novos termos de Caldas da Rainha, no século XVI, e o apetecido território do Bombarral, onde os cistercienses desenvolveram uma aguerrida política de aquisições no século XIII. O concelho desta vila acaba por se separar já no início do séc. XX, em 1914.
[6] As decisões mais importantes para a vila e seu termo, como as tomadas de posição em conflitos militares, encontram-se descritas nas Memórias Históricas como fruto de debate nestas assembleias. Poderá ter sido o caso do apoio a D. Sancho II, em detrimento de D. Afonso, futuro D. Afonso III. Este último rei irá mesmo conceder à vila o título de Mui Nobre e Sempre Leal pela firmeza da defesa do monarca anterior.
[7] Por confirmar fica a referência por nós encontrada de que os habitantes de Óbidos teriam encenado uma representação para manifestarem a sua infelicidade pelo facto da rainha ter ficado em Caldas e não em Óbidos aquando da sua visita à Nazaré, em 1502. O episódio é referenciado como sendo Óbidos o Velho e caricaturiza bem o sentimento de que a nova vila estava a rivalizar com o ancestral povoado muralhado.

 

 

 

 

Pedrógão Grande – (Concelho e Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Povoação muito antiga, já existia no tempo da dominação romana. Segundo uma lenda, a origem da localidade estaria ligada a Antígona Peralta, filha do rei Arunce, cuja beleza atraiu a atenção de vários jovens chamados Petrónios, que se dirigiram ao local para a admirar. Porém, tendo-se envolvido em desordem, ficaram conhecidos por Petrónios Grandes os vencedores e, Petrónios Pequenos os vencidos, e daqui teria resultado o topónimo.

D. Afonso Henriques, mandou-a repovoar em 1176 e doou-a a seu filho bastardo D. Pedro Afonso, que lhe concedeu foral em 1206, confirmado por D. Afonso ll em 1217 e, na revisão dos concelhos, foi renovado por D. Manuel l, em 1513.

Durante séculos, os pedroguenses foram intervenientes durante acontecimentos históricos, como na Batalha das Linhas de Elvas em 1695 e em 1808 na resistência às invasões francesas.

Origem do nome:

«Rocha Martins, do Arquivo Nacional (1936): “Segundo Leitão de Andrada, a origem de Pedrógão Grande é a seguinte:

Vieram a estes sítios uns indivíduas chamados Petrónios desejosos de admirar a rara beleza de Antígona Peralta, filha do Senhor de Conimbriga, o rei de Arunce. De tal forma se enciumentaram  uns dos outros que se envolveram numa grande desordem, da qual resultaram alguns mortos e outros mal feridos. Os vencedores chamaram-se então Petrónios Grandes e os adversários Petrónios Pequenos, habitando os primeiros na margem direita do Rio Zêzere os segundos, o lado oposto.

Daqui, segundo o engraçado escritor, os nomes de Pedrógão Grande e Pedrógão Pequeno.

O Padre Carvalho, diz que a fundação da vila se deve aos Petrónios romanos, de que se acham memórias e o confirmam suas armas, que são uma águia, insígnia do Império, mirando ao Sol, e em baixo o Rio Zêzere”.

 

Pedrógão Grande
http://www.cm-pedrogaogrande.pt/arqueologia.htm
A origem do Concelho de Pedrógão Grande não é ainda objecto de consenso entre os historiadores. Para alguns a história do concelho remontará ao período pré-histórico sendo, no entanto, difícil determinar a época exacta. A Idade do Ferro é apontada como um dos prováveis períodos em que se terá iniciado a ocupação humana desta área. Tratava-se de uma zona propícia à fixação humana visto a morfologia do terreno constituir uma boa defesa natural, para além da existência de uma flora e fauna ricas e abundantes. Inicialmente a população ter-se-ia concentrado no Monte da Sra. Dos Milagres no Cabeço da Cotovia pela sua condição de quase fortaleza natural. Mas se alguns vestígios parecem sustentar esta hipótese a verdade é que outras são sustentáveis. As opiniões dividem-se entre as hipóteses de fundação pré-histórica, romana ou mesmo posterior ao estabelecimento dos romanos na Península Ibérica.
Escavações arqueológicas efectuadas e consequentes vestígios e achados encontrados parecem confirmar a ideia de uma ocupação romana. Foram descobertos fornos de cerâmica para cozimento de telha, telhas de rebordo e pedaços de potes decorados, o que associado ao facto de alguns historiadores atribuírem a fundação de Pedrógão Pequeno, em 150 d.C., aos romanos, reforça a ideia de que ambas as localidades tenham a mesma origem. Os vestígios encontrados e estudados são ainda comprovar uma ocupação muçulmana, embora esta possa ter acontecido, uma vez que os árabes estiveram em Pedrógão Pequeno e topónimos de algumas localidades do concelho, como Alardo ou Atalaia, indiciam uma origem muçulmana. Existe mesmo uma lenda, “ A Lenda do Mouro do Cabril “, alusiva à passagem mourisca por esta área.
Devido à Reconquista Cristã a vila terá sido despovoada, tendo assim permanecido até ao seu repovoamento, em 1135, por D. Afonso Henriques e posterior doação ao seu filho bastardo D. Pedro Afonso. A carta de doação da herdade de Pedrógão Grande indica os limites do território que, posteriormente, iriam originar os concelhos de Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra e Miranda do Corvo e ainda as freguesias da Aguda, Avelar e Maçãs de D. Maria. D. Pedro Afonso, ainda no mesmo ano, fez a doação da sua propriedade a três fidalgos e em 1206, no reinado de D. Sancho I, concedeu o primeiro Foral a Pedrógão Grande. Este seria mais tarde confirmado na cidade de Coimbra, por D. Afonso II e, em 1250, por D. Afonso III. Em 1513, D. Manuel concebeu novo Foral a Pedrógão Grande. Os limites da propriedade foram aí alterados tendo-se esta situação repetido diversas vezes ao longo da história do concelho. Estas alterações dos limites foram em benefício de outras vilas que, que devido à sua evolução e progresso, reivindicavam as terras que lhe estavam mais próximas.
Ao longo dos anos algumas referências a Pedrógão Grande e suas gentes são encontradas nos anais de história, sendo talvez de referir a tentativa de assalto frustrada levada a cabo em 1808 pelo exército francês. Até à implantação do regime constitucional foram donatários de Pedrógão Grande o Conde de Redondo e o Marquês de castelo Melhor, que exerciam sobre esta vila poderes jurisdicionais. Encontrando-se subordinada à Corregedoria de Tomar só em 1875 a vila foi elevada a Comarca. Nos últimos tempos da monarquia Pedrógão Grande entrou num período de declínio tendo-lhe sido retirada a categoria de sede de concelho e de comarca em 1895, passando a fazer parte do concelho e comarca de Figueiró dos Vinhos. A 13 de Janeiro de 1898 um novo decreto restituiu a Pedrógão Grande o estatuto de município mas não o de comarca.
 

Face ao grande desenvolvimento industrial verificado na freguesia de Castanheira de Pêra, a nível da indústria têxtil, esta passou a constituir concelho em 1914. Pedrógão Grande perdeu assim duas freguesias, já que Coentral ficou inserida no município de Castanheira de Pêra, mantendo-se deste então configuração do concelho.
A Vila de Pedrógão Grande, sede do concelho, apresenta o seu núcleo central e primitivo como elemento unificador. Mantendo o centro histórico algumas das suas características medievais – como a reduzida largura e sinuosidade das ruas ou a escala dos edifícios – é ao redor deste que se verifica a expansão urbana. Assiste-se a um crescimento nas áreas limítrofes, especialmente a partir da década de 70 do séc. XX, baseado essencialmente numa mera perspectiva de resposta a um mercado habitacional em constante crescimento. Numa perspectiva de desenvolvimento urbano cuidado interessa realçar e preservar a herança cultural e patrimonial de uma vila com história mas também com futuro.

 

 

 

 

Peniche – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

A origem do topónimo parece derivar de Phenix, nome de uma cidade que existiu na ilha de Creta (Grécia) e cuja configuração geográfica era semelhante à da península onde se situa Peniche. Foi elevada à categoria de vila em 1609, durante a dominação espanhola, por Filipe ll de Portugal, que lhe concedeu foral em 1611. Devido às correntes marítimas a partir do século XV, acumularam-se entre a primitiva ilha de Peniche e a parte continental, grandes quantidades de sedimentos de areia que, emergindo, construíram pequeno istmo, ligando-a ao continente e dando origem ao conhecido Tômbolo. Só a partir desta altura e que Peniche se transformou em porto de alguma importância.

Origem do nome:

«Pinho Leal do “Portugal Antigo e Moderno – 1875»: “Peniche, na língua lusitana, e mesmo no português antigo (e ainda hoje em Espanha) significa – “barco pequeno”. A semelhança do nome com a palavra latina península (quase ilha e o ser actualmente uma verdadeira península, faz acreditar a muitos que Peniche é corrupção de península.

Contra esta opinião oferecem-se três contradições: - 1º, é que península é nome genético e não próprio – e, quanto muito devia preceder o nome da povoação – como ainda hoje dizemos – Península de Peniche – Península Ibérica – Península Itálica, etc. – e devia portanto ter outro nome que lhe fosse próprio, o que ainda ninguém disse; 2º - é que quando se fundou a povoação não era península, mas ilha; 3º - é que, de certo os lusitanos não adoptariam um nome romano, para a sua nova povoação.

Também não acho probabilidade à opinião que pretende derivar-se Peniche das duas palavras pen-ínsula – ilha de rochedo: porque pen é cantábrico, e não verosímil que juntassem esta palavra à de insula, que é latina.

Devemos, porém, confessar que o nome é apropriadíssimo, porque Peniche era uma ilha de rochedos”.

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Peniche tem por étimo o nome comum penniculae, conforme se mostro na Revista Lusitana, lV- págs. 132 e 273.

O céltico penn, latinizado em pinna e aportuguesado em pena ou latinizado em pennia e aportuguesado em penha revela-se em muitos vocábulos da nossa toponímia.

«João Oliveira Coelho, da “Origem e Significado de Peniche (Ensaio Toponímico) – Figueira da Foz, 1947»: “Outras evidências, porém, nos legaram, de alto valor a atestar a sua presença e actuação nestas paragens, e, entre elas, subsistem com verdadeiros monumentos os topónimos, dentre os quais se destaca, colossal, o nosso Peniche, o qual não é senão o duplicado doutro então existente na célebre ilha do Mediterrâneo Oriental – Creta ou Candia !

Ao sul desta ilha, existe uma cidade com o seu porto marítimo numa enseada notável, que se denominava Phoenix ou Phenix, ainda nos dias do apóstolo São Paulo, como se pode ver no Novo Testamento, Act, XXVll, 12 e, muito próximo, se encontra também um promontório designado pelo nome de Erytreia !

Eis a nosso ver, quais foram, figurativamente, os padrinhos da nossa antiquíssima Peniche !

O caso é que, navegadores, ou comerciantes dali provenientes, ou oriundos, explorando a costa Lusitânia, aqui aportam, estabelecendo uma colónia, ou feitoria, à qual deram a designação de Phenix, em atenção à flagrante semelhança da configuração geográfica desta, com a Mãe pátria, ou então com o patriótico intento de lhe prestarem homenagem, ao mesmo tempo que marcavam por esta forma a sua posição nos direitos de procedência que quaisquer outros pretendessem disputar-lhes.

Mas seria possível que a cidade e porto de Phenix juntamente com o seu promontório de Erytreia, situados na tal ilha de Creta, tivessem, na realidade, sido os padrinhos da nossa Peniche ? Não haverá aqui um tour de force da nossa fantasia ?

Podemos afirmar categoricamente que não !

 

Osberno, o cruzado célebre como militar e cronista, que em 1147 ajudou o senhor D. Afonso Henriques a tomar Lisboa aos mouros, deixou uma narrativa do glorioso sucesso, acompanhada duma interessante descrição geográfica de Portugal.

Pois leiamos o que ele escreveu acerca de Peniche: “No dia seguinte aportámos com felicidade à ilha de Peniche, distante do continente cerca de oitocentos passos. Abunda esta ilha em veados e sobretudo em coelhos; também se encontra nela a planta de alcaçus. Os círios chamaram-lhe Eritreia”.

 

Assim, a Phenix de Creta deu-nos Peniche, tal-qualmente o promontório Eritreia da mesma ilha, nos deu Eritreia Lusitânia em que nitidamente vemos emergir o cabo Carvoeiro !

A mudança do “F” em “P”, justifica-se do mesmo modo que os latinos transformaram Phoenix em Poeni, quando se referiam aos cartagineses, por serem uma colónia de Phenícios. Foi desta Poeni que proveio o conhecido vocábulo: Púnico. Num dicionário latino lê-se: Poenus, a , um, Horac. Cartaginês. Poeni, orum, n. pl. Virg. – Cartagineses. Ficaram pois provadas à evidência, sem grandes artifícios, nem subtilezas de vasta erudição filológica, não só a origem como também a evolução do venerabilíssimo topónimo Phoenix> Peniche, cuja certidão de idade, bem examinada, nos mostra uma existência que deve exceder uns bons Dois Mil Anos !

E, para terminarmos: que diremos agora quanto à sua significação ou etimologia ? Um dicionário grego-latino, diz assim: Phoenix – nomen Avis & viri & Populi & portus; Púrpura punicens color; Herba quoedam. Adj. Ruber, rufus; Phoenicia Oriundus”.

 

Peniche

http://www.oestediario.com/oestediario

Há alguns séculos atrás, a actual península de Peniche ainda era uma ilha. Reza a História que a fundação do povoado sucedeu quando um grupo de Lusitanos aportou àquele lugar, em fuga do invasor romano...

[15-03-2001] [ Carlos Robalo ]

Há alguns séculos atrás, a actual península de Peniche ainda era uma ilha. Reza a História que a fundação do povoado sucedeu quando um grupo de Lusitanos aportou àquele lugar, em fuga do invasor romano.
Peniche, pelas suas excepcionais condições naturais é o lugar ideal para o estabelecimento de um porto. Talvez fenícios e certamente romanos aqui se instalaram. O antigo Porto da Tauria (Atouguia) terá sido o principal porto de pesca da Lusitânia e, mais tarde, do Portugal medievo.
O cruzado Osberno, companheiro de D. Afonso Henriques na reconquista de Lisboa, refere-se à sua passagem pela “ilha de Peniche, distante do continente cerca de 800 passos”. Refere ainda que “abunda esta ilha em veados e sobretudo em coelhos”.
Foram também cruzados os primeiros senhores das terras de Peniche e Atouguia, por doação de D. Afonso Henriques, como prémio pelo auxílio prestado na conquista de Lisboa. Guilherme Lacorne (ou de Cornes) recebe o senhorio da Atouguia (primeira sede do concelho) em 1165.
O primeiro foral da Atouguia data de 1167, sendo confirmado, por D. Afonso II, em 1218, e por D. Manuel I, em 1510.
Álvaro Gonçalves de Ataíde foi o primeiro Conde da Atouguia, em 1448, e , mais tarde, Alcaide-mor de Peniche. O domínio desta família só viria a cessar no séc. XVIII, quando o Marquês de Pombal a acusa de participar numa tentativa de regicídio, aniquilando D. Jerónimo de Ataíde e eliminando todos os seus títulos e bens.
Peniche é o cenário de um amargurado episódio da História nacional: durante as guerras da sucessão, que confirmariam as aspirações de Felipe II, o candidato português, D. António (Prior do Crato), desembarcou na praia sul com tropas inglesas, a fim de tomar Lisboa. O comportamento selvagem dos ingleses, mais preocupados em saquear e destruir os bens que encontravam pelo caminho, determinou a conotação que hoje em dia se atribui à expressão “amigos de Peniche”. Esperara, em vão, a gente leal a D. António por aliados há muito prometidos. Infelizmente, e para desespero do bom povo de Peniche, naquela praia só desembarcaram mercenários ladrões e desleais.

Foi por decisão de Felipe II que Peniche foi elevada a Vila e que adoptou o foral da Atouguia. A península, fortificada desde o reinado de D. João III, tornou-se uma importante praça-forte depois da restauração.

A Fortaleza de Peniche ainda hoje é uma imponente estrutura militar, que merece uma visita. Ali se encontra um Museu que ilustra a história de Peniche e que evoca a resistência anti-fascista, recordando que aquele forte serviu de prisão política durante o regime do Estado Novo.
Os “amigos de Peniche”
[Extraído do livro "PENICHE NA HISTÓRIA E NA LENDA”, de Mariano Calado]
Se há frases que, mais injustamente, firam a sensibilidade e a reputação de uma comunidade honesta e hospitaleira, a dos "amigos de Peniche" - no seu vulgar sentido pejorativo de amigos desleais, amigos de quem é bom fugir... - é uma delas. E, contudo, ainda há quem, ingénua ou maldosamente, teime em não reconhecer o inconveniente dessa injustiça, afrontando a nunca desmentida hospitalidade dos penichenses, quer através de impensados comentários de imprensa, ou de simples títulos de caixa alta, a encabeçar, atrevidamente, notícias de acções de gente desleal, quer até no desenvolvimento temático de peças de teatro ou películas cinematográficas.
Mas o penichense continua a responder à ofensa com a sua honradez e hospitalidade, e, sempre que possível, conta uma história a propósito...
Tendo D. Henrique morrido sem deixar descendência, surgiram naturalmente, como pretendentes ao trono de Portugal, três netos de D. Manuel: Filipe II, rei de Espanha, D. Catarina de Bragança e D. António, Prior do Crato. Era ao primeiro aquele a quem a força dava mais direitos, demais coadjuvado pela perfícia que, ao tempo, grassava na corte portuguesa; e um exército espanhol, comandado pelo duque de Alba, invadiu o Alentejo, tendo Filipe sido proclamado rei de Portugal.
Não o reconheceu, todavia, D. António que, mercê de mil e uma habilidades diplomáticas, conseguiu que Isabel Tudor, rainha de Inglaterra, pusesse à sua disposição uma armada de cerca de 20 000 homens e "cento e sessenta navios grandes e pequenos" para, com ela, reivindicar os seus direitos; e, a 26 de Maio de 1589, os penichenses viram desembarcar na sua praia do sul parte dos soldados desse exército, comandados pelo general John Norris.
Depois de uma leve escaramuça com a guarnição da Fortaleza - a que não faltaria , sem dúvida, a indiferença dos poucos portugueses às ordens do oficial castelhano D. Pedro de Gusmão e que suporiam, talvez, que com a chegada dos bretões seria possível a expulsão do invasor filipino - , a praça foi tomada e o exército inglês caminhou sobre a capital, ao mesmo tempo que sob o comando do almirante Francis Drake, a esquadra que o desembarcara em Peniche rumava a caminho de Cascais.
Entretanto, entre o receio de uns e alegria de outros, chegava a Lisboa a nova do desembarcar de D. António, passando, entre os seus partidários, a segredar-se, num anseio de esperança: "Vêm aí os nossos amigos... Vêm aí os nossos amigos que desembarcaram em Peniche..."
Mas o exército invasor e sem que o Prior do Crato tivesse força suficiente para o evitar, avançava na maior das indisciplinas, devastando e roubando as terras por onde passavam - Atouguia, Lourinhã, Torres Vedras, Loures... -, até que, tendo chegado às portas da cidade, acampou nos altos do Monte Olivete onde, pouco depois, os canhões do castelo de São Jorge, por ordem de D. Gabriel Niño, começaram a despejar metralha. Grande foi a surpresa de John Norris em face deste bombardeamento, pois D. António para conseguir o indispensável auxílio do exército inglês, teria provavelmente garantido não haver necessidade de combater, visto que seria festivamente recebido em Portugal. E o acampamento foi mudado para a Boa Vista e Bairro Alto, de onde, após em breve recontro com os castelhanos, retirou de novo, desta vez para a Esperança.
Dentro das muralhas e durante todas estar manobras, a ansiedade patriótica dos "antonistas" continuava segredando a ocultas : "será hoje que chegam os nossos amigos? Virão hoje os nossos amigos de Peniche?..."
D. António bem deve ter insistido e procurado dar novas garantias, mas aquele exército composto de mercenários não poderia sentir o patriotismo e a dor do infeliz e desorientado pretendente; e assim, dias depois e em face do desespero do Prior do Crato, refugiava-se em Cascais, na mesma esquadra que o trouxera de Inglaterra e desembarcara em Peniche.
- "Porque não entram os nossos amigos?... Porque nos abandonam os nossos amigos de Peniche?..."
E foram baldadas todas as ingénuas esperanças dos partidários de D. António, pois o auxílio que a este fora oferecido teria, por certo, menos o interesse de participar generosamente na reconquista da independência de Portugal que humilhar o orgulho e poderio de Espanha através de um golpe de surpresa, aliás coadjuvado pela suposta fácil sublevação do povo português, cansado de extorsões e ignomínias.
Por muito tempo ficou aberta no coração dos "antonistas", como ferida dolorosa, a desilusão dos amigos desembarcados em Peniche, daqueles amigos que esperavam receber como libertadores e que afinal os tinham abandonado. Mas os homens desembarcados em Peniche e que traíram a esperança dos bons portugueses de então, não eram de cá e partiram como vieram, não ficaram em Portugal...
À distância - que é tempo de defender uma sensibilidade e uma honradez afrontadas sem razão -, consola verificar que não foi penichense algum a trair o compromisso sagrado de uma amizade ou a desiludir a esperança de um infeliz. E ainda hoje, a única resposta que os penichenses encontram para a afronta impensada e injusta daqueles que os julgam amigos infiéis, amigos em que não há que acreditar - afronta que atinge o cúmulo de se olhar com insólita desconfiança para uma pessoa somente por saber-se ser ela de Peniche! -, é continuar a oferecer sempre uma carinhosa hospitalidade; mas também com a firmeza dos simples, é responder como ilustre médico penichense o fez a um seu colega, quando, uma vez, este lhe perguntou - certamente com uma pontinha de ironia - o que eram os "amigos de Peniche":
- "Olhe, meu caro: «amigos de Peniche», são uma cáfila de patifes que eu tenho encontrado por toda a parte, menos lá!..."
E, ressalvada a generalidade, compreende-se nitidamente, e justifica-se, o sentido imperioso da resposta: era um filho de Peniche a repudiar, com amargura, a injustiça de uma afronta de três séculos!

 

 



 

Pombal – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

De origens remotas, deve o seu Castelo a D. Gualdim Pais, que o mandou edificar em 1161 e lhe concedeu forais em 1174 e 1176. Recebeu foral novo de D. Manuel l, em 1512. Os originais os forais concedidos a Pombal, foram destruídos pelas tropas napoleónicas quando incendiaram os Paços do Concelho. Pombal encontra-se indelevelmente ligada ao 1º Ministro de D. José, Sebastião José de Carvalho e Melo, 1º conde de Oeiras e 1º Marquês de Pombal que faleceu a 8 de Maio de 1782, na sua quinta. O Marquês aqui mandou construir o celeiro (Casa do Celeiro). Seus restos mortais, repousaram na Igreja do Convento de Nossa Senhora do Cardal, de 1782 até 1856, data da sua transladação para a Ermida das Mercês, em Lisboa, a pedido de seu 3º neto.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “Quanto à origem do topónimo, não podemos perfilhar a opinião que já vimos na impressa e segundo o qual o vocábulo foi derivado de columbarium latino, palavra esta que corresponde efectivamente ao português pombal quanto ao sentido, é claro, mas que não é o seu étimo. A seguir esse critério, também então poderíamos dizer, por exemplo, que cavalo se deriva de equus.

O topónimo Pombal não é outra coisa que o nome comum pombal e este ´s simplesmente um derivado de pomb – mais o sufixo – al. Por sua vez pomba veio-nos do latim palumba, pomba brava, e não de columba, pomba mansa.

É tradição – e aqui está a explicação histórica de escolha do nome – que, nos rochedos do monte onde foi levantado o castelo, foi encontrada uma numerosa colónia de pombas bravas, que, embora afugentadas se instalaram nas novas muralhas, depois de reconhecerem que tinham perdido as suas moradas nas fragas, não abandonando assim o lugar. Foi este facto que deu origem a que à fortaleza se chamasse de Pombal, nome que prevaleceu até à actualidade, estendendo-se a toda a povoação. Esta tradição é muito mais verosímil do que a vaga lenda, segundo a qual um certo rei teria passado pelo lugar e, notando muitas pombas pousadas no castelo, teria dito – “formoso pombal” -, cheio de admiração ou de agrado, e daí, a imediata escolha do nome para a povoação, lisonjeando-se deste modo o tal desconhecido rei. Resta dizer que, nos primeiros tempos da monarquia portuguesa, em que a linguagem oficial e escrita era constituída quase exclusivamente por expressões do chamado latim bárbaro; aparecem as grafias Palumbar, terrae Palumbarii, etc., formas a que corresponde o actual topónimo Pombal”.

 

Pombal
http://www.cm-pombal.pt/about_pombal

Pombal é terra de história, de lendas e de gente ilustre. Do grande Marquês de Pombal, do historiador e escritor João de Barros, do político Mota Pinto, da poetisa Martel Patrício, do médico e escritor Amadeu da Cunha, entre tantos outros.
Sendo difícil situar o aparecimento do primeiro aglomerado populacional, não restam, no entanto, dúvidas quanto à presença dos romanos na região de Pombal, tendo em conta as moedas encontradas nas obras de restauro do Castelo. Antes da presença romana, está assente que a fixação demográfica na área da freguesia de Pombal remonta ao período neolítico, sem que, também aqui, seja possível determinar o local exacto do sedentarismo inicial.
Certo é que, no início do século XII, os Templários passaram pela região. Em 1126 terão encontrado uma povoação no lugar de Chões, hoje desaparecida. Esta terra deserta, de matos e brenhas fechadas e inóspitas entre Coimbra e Leiria, situava-se na fronteira das batalhas contra os sarracenos. Por esse motivo foi aqui erigida, por volta de 1147, uma fortaleza militar. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, concede foral a Ega em 1131, depois a Redinha em 1159, e por fim a Pombal em 1174, renovado posteriormente no ano de 1176. A acrescentar aos dois forais, D. Gualdim Pais concede também a Pombal, em 1181, uma carta de privilégios.
Em 1509 D. Manuel passou por Pombal. Admirado com a povoação, ordenou a recuperação do Castelo, ficando o seu interior a servir de residência ao alcaide-mor da vila, Conde de Castelo-Melhor, e ordenou a abertura de uma porta, voltada para a vila. Por cima dessa porta, foram colocadas as armas da vila de Pombal, à qual revogou antigos privilégios concedendo-lhe foral novo, datado de 1 de Junho de 1512.
Deve-se ao Marquês de Pombal, que aqui viveu entre 1777 e 1782, a ordenação da parte baixa da vila. Então mandou construir, na Praça Velha, a cadeia, no sítio do antigo pelourinho e o celeiro, no lado oposto.
Na última década do século XVIII, a estrada real foi desviada para dentro de Pombal e foi construída uma ponte sobre o rio Arunca, numa obra dirigida pelo coronel-engenheiro Joaquim de Oliveira, que também abriu uma alameda arborizada até à frente do Emporão, dando à vila e a toda a região um novo incremento.
Estas condições excelentes para o desenvolvimento da região, vêm a ser travadas pelas invasões francesas. Em 1811 as tropas comandadas pelo general Massena, saquearam e incendiaram toda a povoação, circunstância que feriu a antiga pujança, completada pela mortandade ocorrida em 1833, quando a cólera-morbus transformou Pombal numa localidade abandonada.
A estrada real ficou totalmente desmantelada e intransitável, mas os governantes não mostraram qualquer interesse em mandar fazer reparações, preferindo desenvolver as carreiras marítimas com barcos a vapor, entre as cidades de Lisboa e Porto, o que concorreu para o isolamento total da vila com o resto do país. Esta situação só será ultrapassada em 1855, após a construção da via férrea, permitindo estabelecer comunicação rápida e fácil com os principais centros de Portugal.
A construção mais recente de modernas vias de comunicação, e a sua localização invejável, deram a Pombal um desenvolvimento único nesta região, transformando-a numa das cidades com os maiores índices de crescimento da zona centro do País, e dando ao Concelho condições únicas para a prosperidade dos seus habitantes.

 

 

 

 

 

Porto de Mós – (Concelho do Distrito de Leiria)

 

 

 

 

 

Recebeu foral de D. Dinis em 1305, renovado em 1515 por D. Manuel l.

A história de Porto de Mós encontra-se documentada a partir do século Xll. Uma carta afonsina, datada de 1153, aparece pela primeira vez, a doação ao couto do Mosteiro de Alcobaça, da Póvoa de Andam (Ândano) no termo portomosense. Documentos do cartório alcobacense dão novas referências a Portus Molis, juntamente com as fortalezas de (ópidos) de Óbidos e Leiria , em 1184. Podemos concluir que Porto de Mós era fortificada no começo da monarquia. É todavia nos povos pré-históricos que vamos encontrar vestígios da sua antiguidade, e origem segura anterior à dominação romana. Na serra e no vale do Lena surgiram numerosos vestígios dessa época, tais como: lápidas, moedas e sepulturas. A Época do Bronze está representada por objectos encontrados no Tojal. No próprio castelo encontram-se entre pedras duas inscrições registadas no Corpus Inscriptionum Latinorum. A figura lendária do alcaide D. Fuas Roupinho (*), vencedor de batalhas em terra e no mar, celebrizado pelas suas vitórias contra os muçulmanos, está ligada a Porto de Mós.

Origem do nome:

«Xavier Fernandes em Topónimos e Gentílicos (1944)»: “O último elemento da expressão toponímica não é mais do que o plural de mó, pedra, do latim mola e através do arcaico moa. O topónimo significa, portanto, “lugar ou passagem de pedras”.

«Bernardo Villa Nova em “Notas Etimológicas e outras sobre Alcobaça e sua Região – Alcobaça – 1958”»: “Diz Viterbo, no seu Elucidário: «Sendo inumeráveis os sítios que entre nós se encontram com os nomes apelativos de Porto e de Portela, como Porto de Mós, e isto já desde o século X, fica lugar a indagarmos o que entendem os nossos maiores por Porto e Portela. Com efeito, por esta voz Porto nada mais significativo que porta, entrada, garganta do monte ou passagem, já do mar ou rio para terra, já de uma terra para outra, atravessando alguma eminência ou cerro que serve de muro ou divisão, sendo razão do Porto o dar passagem ou entrada».

Mais vulgarmente entende-se por porto o porto de mar, lugar da costa que dá passagem do mar para terra, podendo receber navios e abrigá-los das tempestades. São os designados portos molhados (entrada por mar), mas há os portos secos ou entradas de uma terra para outra. Viterbo e Morais Silva dizem que, nos coutos de Alcobaça, chamam porto à entrada ou portal de uma fazenda. Ouvi, algumas vezes, em tempos, a algumas pessoas dos campos desta região, a palavra portinho, para indicarem a outras a entrada para o caminho, que deviam seguir para se dirigirem ao sítio que pretendiam.

Assim, a abertura ou entrada (porto seco) no caminho, que conduzia màs pedreiras destes sítios, donde se  extraía magnífica pedra para mós, deu o nome de Porto de Mós. Estas pedras aproveitavam-se especialmente para mós por não serem lisas e terem saliências muito próprias para farinar o grão.

Outros autores limitam-se a aludir apenas às mós que se fabricavam com a pedra extraída das pedreiras das imediações desta vila e não dizem, como Viterbo e Morais Silva, a razão por que se adoptou o termo Porto”.

 

(*) D. Fuas Roupinho
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No ano de 1180, apareceu na costa portuguesa uma armada muçulmana de nove galés, sob o comando de Ganim ben Mardanis e de um seu irmão, que se instalou no estuário do Tejo e que, por não dispor de forças suficientes para tentar a reconquista de Lisboa, se limitou a saquear o arrabalde da cidade e a capturar os navios que passavam ao largo.
Em Lisboa haveria provavelmente um pequeno número galés, talvez três ou quatro, o que era manifestamente insuficiente para ir combater a armada muçulmana pelo que devem ter permanecido na terecena à sombra da muralha.
Logo que D. Afonso Henriques, que se encontrava em Coimbra, teve conhecimento da presença da armada muçulmana em Lisboa, é natural que tenha dado ordens para que todas as galés que se encontravam nos portos do Norte, talvez umas cinco ou seis, se concentrassem em São Martinho do Porto e que tenha enviado as forças necessárias para as guarnecer para Porto de Mós de que, possivelmente, já seria alcaide o almirante do Reino D. Fuas Roupinho.
Os irmãos Mardanis ao saberem, por qualquer navio que tenham interceptado ao largo de Lisboa, que em São Martinho do Porto se encontravam várias galés portuguesas desguarnecidas, dirigiram-se imediatamente para lá.
Ao avistarem a armada muçulmana, as galés portuguesas terão retirado apressadamente para norte. Tendo seus navios mais pesados, ben Mardanis não as perseguiu e optou por desembarcar as suas tropas e, por terra, dirigir-se para Porto de Mós na esperança de conseguir capturar D. Fuas Coutinho e destroçar as forças que tinha consigo. Porém, sensivelmente a meio do caminho, talvez a 10 de Julho, encontrou-se com aquele que vinha marchando em sentido contrário. Teve então lugar uma encarniçada batalha entre os cristãos e os muçulmanos em que estes foram desbaratados, sendo a maior parte mortos ou feitos prisioneiros. Entre estes figuravam Ganim bem Mardanis e o seu irmão.
As galés muçulmanas que se encontravam em São Martinho do Porto só terão tido conhecimento do desfecho da batalha dois dias depois, por algum grupo de fugitivos que tenha conseguido escapar. Tendo muito poucos soldados a bordo e, portanto, a sua capacidade combativa muito diminuída, seguiram imediatamente para sul, dando a campanha por finda. Estando provavelmente a lutar com falta de água terão arribado a Sesimbra ou à foz do Sado a fim de fazerem aguada, o que poderá ter tido lugar durante o dia 14.
Por seu turno, D. Fuas Roupinho, sabendo que as galés muçulmanas estavam desguarnecidas, deve ter pensado que era uma ocasião ideal para as capturar. E dirigiu-se a toda a pressa para São Martinho do Porto onde, provavelmente já teriam voltado as galés portuguesas, ao saberem da fuga das muçulmanas. Embarcadas as tropas, a armada portuguesa rumou a sul fazendo força de vela.
No dia 15 de Julho, ao dobrar o cabo Espichel, avistou a curta distância a armada muçulmana que recomeçara a viagem de regresso a Sevilha. É de supor que as galés dos mouros fossem a andar menos do que as nossas, provavelmente por terem os fundos mais sujos e velas mais pequenas. O certo é que foram alcançadas sem dificuldade e abordadas e tomadas uma após outra. A resistência que ofereceram, uma vez que tinham muito poucos soldados, deve ter sido muito fraca ou mesmo nula.
Terminada a contenda, D. Fuas Roupinho levou as nove galés capturadas para Lisboa onde foi recebido em triunfo.

 

Porto de Mós
http://www.municipio-portodemos.pt

O nome e a história de Porto de Mós (Portus de Molis), nasceu há mais de 2000 anos ao tempo em que o rio Lena era navegável e as jangadas romanas aqui embarcavam as pedras de mós, talhadas na Pedreira do Figueiredo e, mais tarde, o ferro das minas de Alqueidão da Serra. Mas os segredos do passado de Porto de Mós remontam ao tempo em que o mar cobria estas terras e se iniciaram os enrugamentos terrestres do Jurássico. As ossadas de dinossauros e a tartaruga petrificada são alguns dos tesouros que este concelho guarda há mais de 150 milhões de anos e que agora expõe no seu notável Museu Municipal, onde se descreve toda a pré-história desta região, nos machados e nas pontas de pedra lascada do Paleolítico, nas pedras polidas do Neolítico, nas cerâmicas e objectos de cobre do Calcolítico, ou nos pesos de tear, nas pedras de espremer o mel, nas moedas e nas lanças de ferro do Império Romano.
Subindo na História, pela bela calçada romana de Alqueidão da Serra e percorrendo as encostas de calcário, de moinhos e de aldeias de pedra das serras dos Candeeiros, de Santo António e de Aire, separadas por bucólicas depressões e magestosos anfiteatros naturais, descobre-se, desde o Alto dos Moinhos Velhos, o panorama frutícola do Vale do Lena e da vila de Porto de Mós abraçada ao morro dolomítico do castelo, conquistado por D. Afonso Henriques aos mouros em 1148 e que teve no lendário D. Fuas Roupinho o seu primeiro alcaide.
A planta quadrangular do castelo define quatro torreões aos quais D. Afonso - Conde de Ourém deu em 1450 as feições palacianas que o tornaram num dos mais belos castelos de Portugal.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 

 

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